Segunda-feira, Novembro 28, 2022
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Os equivocos de Nicolau Santos, Ex-Conselheiro Leonino e Director-Adjunto do Expresso

Ao contrário de muitos jornalistas da praça não tenho dúvidas sobre o Sportinguismo de Nicolau Santos.

O director-adjunto do Expresso, jornal que tem feito o melhor tratamento do caso do football leaks, foi até Conselheiro Leonino, abandonando o cargo após a saída de Luís Godinho Lopes da presidência do Sporting.

No entanto não consegui ficar indiferente ao seu último artigo na Tribuna Expresso, com o título “O Sporting está em crise indisfarçável. E o primeiro responsável é Bruno de Carvalho”. Não tanto pelo título, mas pela quantidade de equívocos ao longo do texto de opinião.

Ora vejamos.

O Sporting está em crise indisfarçável. O título começa a ser uma miragem e vamos ver se a caminhada na outra única competição que o clube ainda pode vencer, a Taça de Portugal, não termina já esta terça-feira em Chaves. E quando há uma crise tão evidente começam a procurar-se os culpados. Depois do jogo de sábado, em que o Sporting empatou em Chaves, 2-2, o presidente foi ao balneário tirar satisfações e, pelos vistos, invectivar os jogadores pelo seu eventual menor empenho. E no domingo terá tido uma conversa alargada com o treinador Jorge Jesus. O problema é que o primeiro responsável de tudo isto é Bruno de Carvalho.

Invectivar jogadores, isto é injuriar ou insultar, que tiveram um desempenho paupérrimo num jogo é algo que não me choca assim tanto. Quem no seu local de trabalho nunca viu ninguém a ser invectivado por parte de um director quando não cumpriu? Mas pronto, até aqui não há nada que se possa dizer que seja um equivoco, mesmo que baseado em rumores.

Desde que chegou ao Sporting, Bruno de Carvalho despediu Jesualdo Ferreira, contratou Leonardo Jardim, Marco Silva e Jorge Jesus. Vai no seu quarto treinador e ganhou uma Taça de Portugal.

Dois equívocos seguidos. Bruno de Carvalho infelizmente ganhou apenas uma taça de Portugal e uma Super-Taça, isto no futebol claro. Mas não descuremos a Super-Taça.

Agora dizer que despediu Jesualdo Ferreira, isso é um equivoco grave, diria mesmo uma mentira. Jesualdo Ferreira recusou renovar contrato com o Sporting Clube de Portugal. É algo completamente diferente de despedir.

Leonardo Jardim foi campeão na Grécia, lidera atualmente o campeonato francês, com o Mónaco, que é a equipa mais goleadora da Europa. Marco Silva venceu a Taça de Portugal pelo Sporting, foi campeão na Grécia e está agora a recuperar o Hull City, em Inglaterra. Jorge Jesus foi quase campeão na sua primeira época no Sporting, ficando a dois pontos no Benfica, e esta época anunciava-se como de grandes vitórias. Afinal, tem sido de grandes derrotas.

Marco Silva… Foi campeão na Grécia pelo clube que ganha sem precisar de treinador. E está a recuperar o Hull City. Bem recuperar é uma palavra forte tendo em conta que fez dois jogos. Também podia dizer que Marco Silva no Hull tinha ganho metade dos jogos disputados. Ou perdido metade desses mesmos jogos. Mais um equivoco portanto.

Quais são as ilações do que atrás foi escrito? 1) Bruno de Carvalho sabe escolher bem os treinadores; 2) tem pouca paciência para eles, não lhes dando tempo para consolidar o projeto; 3) apostou as fichas todas em Jorge Jesus na época passada e mais ainda nesta, dando todas as condições ao treinador para fazer melhor que em 2015/16, comprando uma camioneta de jogadores que o técnico pediu para as mais diversas posições.

Quatro treinadores. Um deles não quis renovar, ou seja até teve paciência com ele. O segundo, Leonado Jardim, foi vendido por um valor record por parte do clube, e com um contrato milionário à espera. Ao quarto, Jorge Jesus, tem sido dado tempo e as armas que pede.

Quer dizer que apenas não teve paciência com Marco Silva certo? Um em quatro deve ser algo de errado para dizer que não se dá tempo. E tendo em conta que com Marco Silva a equipa estava bem pior no fim da época do que no inicio quando ainda tinham Leonardo Jardim na lembrança…

E que fez Jorge Jesus com tanto jogador? Pois pouco, muito pouco. Em primeiro lugar, desvalorizou os jogadores formados no clube e cedeu-os a outros clubes: Matheus Pereira, Iuri Medeiros, Palhinha, Francisco Geraldes, Ryan Gauld (que o presidente dizia que era o Messi escocês…), etc.

Bruno de Carvalho alguma vez disse que Ryan Gauld era o Messi escocês? Lembro-me da imprensa dizer isso. Mas adiante.

Os jogadores metidos a rodar estão a ganhar terreno. Tanto que Palhinha regressou agora para jogar na equipa principal a pedido do treinador. Tal como fez o ano passado com Rúben Semedo que o meu caro Nicolau se esqueceu.

E por falar em esquecimentos, esqueceu-se de Gelson Martins. Jogador que Marco Silva nunca chamou e que no primeiro treino que viu Jorge Jesus promoveu e potenciou.

Equivoco ou pensamento selectivo?

Em segundo, dos jogadores contratados só dois pegaram mesmo: Bas Dost (melhor marcador da Liga) e Campbell, com intermitências. Alan Ruiz ainda tem mais intermitências, Spalvis vai agora para o Belenenses depois de uma longa lesão, Meli quer regressar à Argentina, Douglas é muito grande mas já nos atirou para fora da Taça CTT (embora aquilo não tenha sido penalty nem que a vaca tussa…) e o Markovic foi um grande (L)azar que nos saiu na rifa. Por outras palavras, ou Jorge Jesus é péssimo a escolher jogadores ou há muita gente a ganhar com esta girândola de futebolistas a passarem (e a passearem) por Alvalade.

Mais uma vez alguma desonestidade nos argumentos. Quando refere Spalvis, que falhou apenas por causa da longa lesão, não lhe fica bem. Tal como referir Douglas como o culpado por termos saído da Taça CTT, quando na mesma linha admite que foi erro crasso de arbitragem. Meu caro, assim quem nos atirou para fora foi o árbitro…

Agora engraçado é falar em girândola de futebolistas a circular, e gente a ganhar dinheiro com  isso. Isto quando estamos a falar da altura em que o Sporting gastou menos dinheiro em comissões históricamente.

Mais estranho ainda é lembrar que Nicolau Santos foi Conselheiro Leonino durante a direcção de Godinho Lopes, onde havia uma real girândola de futebolistas a passarem (e a passearem) por Alvalade com a Doyen a ganhar muito dinheiro enquanto o Sporting o perdia…

Em terceiro, dinamitou completamente o lado esquerdo da defesa do Sporting. Aliás, este é um problema que Jesus já tem desde os tempos do Benfica: os defesas esquerdos para ele nunca são suficientemente bons. Na Luz devem ter passado pelo lugar uns 15. No Sporting já vamos em três (Jefferson, Zeegelaar e Bruno César) e com regularidade a imprensa desportiva dá notícia de que Jesus continua incessantemente à procura de novos defesas-esquerdos, não se percebendo porquê. Na sua primeira época, Jefferson foi titular indiscutível, com excelentes prestações. Na segunda foi relegado para o banco e substituído por Zeegelaar, que parecia ser o homem ideal para Jesus. Não era ou já não é. Agora nem para o banco vai.

Sim, temos um problema com a lateral esquerda. Não acho que tenha sido Jorge Jesus a dinamitar o mesmo, foi a quebra de rendimento de Jefferson desde há um ano. Mas sim, existe um histórico de alguns erros de Jorge Jesus com a lateral esquerda.

Por outro lado Nicolau Santos esquece quem foi o treinador que meteu Fábio Coentrão nesse lugar, o potenciou até ao ponto de ser levado por um balúrdio para o Real Madrid. Mais uma vez selectiva a memória.

Bruno César que não é nem nunca foi defesa-esquerdo é o homem do momento. Acontece que é por ali que acontecem muitas das nossas desgraças (o primeiro golo do Chaves vem de um centro daquela zona, o 3-1 co o Rio Ave passou todo por ali). E se está a defender, o Chuta-Chuta não está bastante mais à frente em condições de marcar golos – e lá ficamos nós reduzidos ao Bas Dost. Mas Jesus também conseguiu dar cabo da confiança de outro defesa excepcional: Paulo Oliveira. Encostou-o, só o tira do banco in extremis e lá vem as notícias que está no rol dos dispensáveis.

Concordo com Bruno César não ser um lateral-esquerdo. Mas também não acho que neste momento seja necessária a sua titularidade na frente. Neste momento para mim Joel de um lado e Gelson do outro são os titulares.

Gosto muito de Paulo Oliveira. Mas Nicolau podia escrever isto de outra forma, ora vejamos:

“Paulo Oliveira sofreu com o surgimento de um talento fora do comum chamado Rúben Semedo. Se o jovem Português conseguir dominar os ímpetos será por certo um defesa de classe mundial. De classe mundial é por certo Sebastian Coates, que juntando a Rúben levou com que Paulo Oliveira, um talentoso jogador, tivesse de se sentar no banco.”

Ficaria diferente certo? Opções de escrita.

Ponhamos os pontos nos is. O que vai restar desta fortíssima aposta na época 2016/17 é um grande investimento com um fraquíssimo retorno, sendo de supor que isso possa ter problemas na situação financeira do Sporting. Chega-se, então, ao principal responsável, Bruno de Carvalho, que por acaso enfrenta um processo eleitoral para a presidência do clube. Dificilmente perderá as eleições mas o seu brilho empalideceu manifestamente.

Em parte concordo. Foi feito um fortissimo investimento, se bem que com dinheiro proveniente do lucro gigante feito com duas saídas, logo pago e ainda deu para amortizar o passivo. O retorno só a longo prazo se verá. Acredito que se fosse preciso por exemplo Bas Dost seria passivel de vender pelo dobro do que se comprou.

Por outro lado tem sido uma época péssima a nível desportivo, isso não há como negar. Mas ainda não está fechada. Nem estão fechadas as eleições. Nunca há vencedores antecipados, e quem decidirá serão os sócios.

Tentando copiar o estilo Pinto da Costa, abrindo várias frentes de guerra, umas externas outras internas, umas justas outras injustas, umas razoáveis outras completamente irrazoáveis, Bruno de Carvalho está agora fragilizado. Esta última de ir ao balneário depois do jogo de Chaves para aparentemente invectivar os jogadores, que estavam desolados com o resultado, como foi evidente assim que o árbitro deu por terminado o encontro, não ajuda nada a dar confiança à equipa e não melhora o ambiente que se vive entre presidente, treinador e jogadores. E quando se perde a confiança dos jogadores, os resultados dificilmente aparecem.

As frentes de guerra que mais soam neste mandato são a Doyen e os fundos, guerra mais que justa, e ganha com o fim dos mesmos, mesmo que com perdas financeiras para a Doyen no caso Rojo.

E claro, a frente contra o sistema vermelho, que domina o futebol português. Que tem de ser feita a bem da verdade desportiva.

A sorte de Bruno de Carvalho, por muito que não o queira, está amarrada à de Jesus, com quem fez um contrato multimilionário até 2019. Despedir o treinador custará demasiado ao Sporting. E apesar de todas as manias de Jorge Jesus, o homem sabe da poda. Talvez limitar-lhe as exigências de obrigá-lo a rentabilizar o material humano que tem à sua disposição, fazendo regressar os que estão emprestados e mandando de volta os que não acrescentaram nada, seja uma boa maneiras de o colocar à prova. O bom treinador é o que torna bons jogadores apenas regulares, que torna muito bons jogadores bons e que torna excepcionais jogadores muito bons. Jesus já provou que sabe fazer isso. Se não quiser aceitar o repto, que se demita.

Teria de concordar com alguma parte certo? Nisto estou de acordo com Nicolau Santos.

Para o seu lugar não faltam boas hipóteses: Rui Jorge, Abel Ferreira (que Bruno de Carvalho despediu da equipa B, substituindo-o por João de Deus – e o Sporting B está à beira da despromoção), Paulo Fonseca. Mas também há Marco Silva – embora esse só venha com outro presidente.

Aqui o equivoco é a história de João de Deus e Abel. Abel saiu por causa de valores, e foi substituído por Francisco Barão. João de Deus foi contratado três meses depois, por causa da prestação de Francisco Barão, e desde aí tem feito bons resultados tanto desportivos como especialmente formativos.

Com isto não vejo com maus olhos Abel mas nesta altura não teria a experiência para o cargo. Marco Silva não gostei do trabalho dele, e nem estou a falar dos contos e ditos com a direcção.

De resto, Paulo Fonseca e Rui Jorge seriam provavelmente as duas escolhas que mais gostaria, a nível nacional, e como tal concordo com elas. Mas por agora não vejo Jorge Jesus a se demitir, é orgulhoso demais para isso.

Entretanto, há que cerrar os dentes e ganhar na terça-feira em Chaves. Ganhar não pelo presidente, não pelo treinador. Ganhar pelos melhores adeptos do mundo, ganhar pelo Sporting, ganhar em nome do Sporting. Força, Sporting!

Sem dúvida meu caro, sem dúvida. É a ganhar que se resolve isto!

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2 COMENTÁRIOS

  1. Falta de militância é isto. Andam sempre a dizer para o homem se calar. Já agora, podiam começar por dar o exemplo. A falta de objectividade e esta coisa de aparentemente já ser tudo mau, quer se faça, quer não se faça, quer se se pudesse ter feito… não é bipolaridade, é tacanhez intelectual. É disto que nos precisamos verdadeiramente de nos libertar enquanto sportinguistas.

  2. Injuriar alguém, mais a mais no local de trabalho, é absolutamente de reprovar. Seja em que circunstância for deve ser tolerado. E se acontece em alguns locais de trabalho, não deveria acontecer em nenhum local de trabalho – até porque é ilegal. E espero que não tenha sido isso o que aconteceu. Ainda assim, invectivar não é sinónimo de injuriar – pode ser de descompor: algo passível de acontecer de forma civilizada.

    O salário record à espera de Leonardo Jardim é inferior ao que aufere JJ. Se calhar na altura o Sporting poderia ter puxado um bocadinho mais por aí. Sempre teria sido melhor que apostar no Shikabala.

    Reclamar do subaproveitamento de Gauld é legítimo – afinal custou 3M€. Menos do que Leonardo Jardim foi ganhar para o Mónaco.

    JJ de facto não sabe o que fazer aos laterais esquerdos do Sporting. Jefferson, Marvin e Jonathan – não prestam? Eu já vi bons jogos de todos. E não tem de ser o treinador a tirar o máximo deles – mas isso não está a acontecer.

    O Rúben Semedo dos últimos 5 jogos não é o mesmo que acabou a época passada em grande. Há já aqui um padrão. Juntem-lhe o Ruiz e os laterais e já temos aqui um padrão: há jogadores em queda de forma a pique este ano. E tirar o máximo de rendimento dos jogadores é parte das funções do treinador. Não pode ter só mérito nas coisas que correm bem.

    Paulo Fonseca nunca, da mesma forma que nunca o Marco Silva. Rui Jorge? Sim. Mas ainda há Pedro Martins e Paulo Sousa (se bem que de todos continuo a preferir o Leonardo Jardim)

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