Quarta-feira, Setembro 23, 2020
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Deontologia no jornalismo desportivo? Provas de que os jornais tocam a cassete Benfica

No dia 9 de Dezembro foi posta a circular uma pseudo-notícia, a qual se encontrava desprovida de qualquer fundamento. Em resumo, mais uma intrujice.

Na conta Twitter oficial do Benfica, sem qualquer hiperligação a informação adicional, é publicado o seguinte conteúdo:

Quer no sítio oficial, quer página oficial no Facebook, não existe qualquer informação sobre tal facto. Ou seja, apenas a publicação de uma das partes interessada no processo. De fonte independente e credível, nada. A nossa imprensa desportiva, acrítica, que aceita passivamente fazer parte de encenações, auto-impõe comportamentos pavlovianos, seguindo guiões, transformando-se numa mera correia de transmissão, um megafone difusor do clube que fabricou a “notícia”.

Afirmaram eles que «O organismo europeu baseia a decisão no facto da oportunidade gerada pelos vouchers para degustação de refeição não ser por si só um ilícito, uma vez que está enquadrado naqueles que são os costumes e práticas habitais de hospitalidade, não podendo dai retirar-se qualquer solicitação implícita ou tácita de favorecimento; entende a UEFA.»

Fonte da notícia? Desconhecida. Deontologia, zero!

O Record aceita como dogma, «Águias defendem que o organismo indeferiu o protesto do Sporting.»

E reforça a ideia: «O Comité de Disciplina da UEFA indeferiu a queixa apresentada contra o Benfica pelo Sporting, na época passada, na sequência dos vouchers oferecidos aos árbitros, garantem as águias no seu site oficial.»

Fonte da notícia? Talvez o Benfica. De referir que, tal como mencionado anteriormente, no sítio das Águias não existe qualquer referência a esta questão. Deontologia, zero!

O Jogo não deixa as coisas por menos: «UEFA arquiva queixas do Sporting no caso dos “vouchers”»

Com tal afirmação, que não deixa margem de dúvidas, quem terá informado o jornal da decisão? Vamos ler um pouco do conteúdo do artigo:

«A UEFA arquivou a queixa do Sporting contra o Benfica no caso dos “vouchers” oferecidos aos árbitros nos jogos da equipa principal e secundária dos encarnados, anunciou esta sexta-feira o clube da Luz

O Jogo considera uma das partes interessadas como fonte credível, abdicando voluntariamente de aplicar uma regra básica do jornalismo: verificar factos. Deontologia, zero!

A Bola, o Record e o Jogo, todos eles foram mais rápidos a propagar a “cassete” que o próprio Benfica. Note-se que não existe nenhum facto além daquele produzido pelo clube da Luz, estando este sem qualquer constatação factual. Estes jornais reproduziram uma ficção sem verificar previamente a sua veracidade, como estão obrigados pelo seu código deontológico.

No Estatuto do Jornalista (Lei 1/99, publicada em 1 de Janeiro, alterada pela Lei n.º 64/2007, de 6 de Novembro, com rectificações feitas pela Declaração de Rectificação n.º 114/2007, da Assembleia da República) é referido:

Artigo 14.º

Deveres

1 – Constitui dever fundamental dos jornalistas exercer a respectiva actividade com respeito pela ética profissional, competindo-lhes, designadamente:

  1. Informar com rigor e isenção, rejeitando o sensacionalismo e demarcando claramente os factos da opinião;

(…)

No dia 12 de Dezembro, a Lusa fez o que qualquer órgão de comunicação social sério faria antes de publicar uma qualquer notícia: averiguar a veracidade dos factos, questionando tomará a decisão sobre o tema, neste caso a UEFA.

A resposta da UEFA é demolidora: «A UEFA disse hoje à agência Lusa não ter tomado uma decisão sobre a queixa do Sporting contra o Benfica no caso dos ‘vouchers’ oferecidos aos árbitros nos jogos da equipa principal e secundária de futebol dos ‘encarnados’.»

Os jornais que deveriam informar e estar comprometidos com a verdade, optaram por ser caixa de ressonância, regurgitadores da estratégia de comunicação de um dos oponentes. Efectivamente vivemos num mundo pós-verdade, onde se publica sem ter preocupação em saber da veracidade dos factos. O código deontológico é letra morta. É raríssimo o jornalismo desportivo. Existe propaganda travestida de jornalismo.

Texto, genial como sempre, de @paravertudo

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