Quarta-feira, Dezembro 2, 2020
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Comparando Paulo Bento com Jorge Jesus, olhando Rúben Amorim e Varandas

Neste momento vejo muitos Sportinguistas preocupados com a chegada de Jorge Jesus ao Benfica, inebriados com o que a máquina de propaganda encarnada debita. No meio de tudo isto um bom amigo que tenho Benfiquista, daqueles raros que não estão a comer este gelado com a testa, disse-me: o Benfica está a fazer a festa depois de ter contratado o treinador que mais títulos perdeu com o Benfica.

Fiquei a pensar nisto, e tentei pensar no nosso caso, e da nossa história com Jorge Jesus. E para ter algum termo de comparação, e ter alguns anos cá como Jorge Jesus teve, só encontrei um: Paulo Bento.

Paulo Bento, tal como Jorge Jesus, teve direito a três épocas completas como no Sporting. Apenas difere pois participou noutras duas, entrando a meio de uma e saindo da outra pouco depois de começar.

A nível de títulos no entanto a desvantagem é clara para Jorge Jesus. Jesus ganhou pelo Sporting uma Super Taça e uma Taça da Liga, enquanto que Paulo Bento ganhou duas Taças de Portugal, e duas Super Taças.

Dirão-me alguns que 2015/16 na realidade foi um campeonato ganho por nós e roubado. Aceito isso, mas devem estar lembrados disto também.

Se este golo, claramente com a mão, tivesse sido correctamente invalidado teríamos sido campeões em 2006-07. E lembrem-se bem com que plantel…

Agora comparem com o plantel que Jorge Jesus tinha em 2015/16.

Um bocadinho diferente certo? Mas se calhar o grande problema, e maior diferenciador entre o que foi Paulo Bento e Jorge Jesus foram as armas que lhes deram de seguida.

Na época seguinte a isto Paulo Bento recebeu dois reforços, e meio, com Izmailov, Vukcevic e Derlei. E no ano seguinte, não viria a receber mesmo reforço nenhum

Já Jorge Jesus recebeu na época seguinte Bas Dost, Coates, Bruno César, Alan Ruiz, Campbell, Markovic e Elias, mesmo que muito tenham sido flops. Para no ano a seguir ainda ter sido mais reforçado com Acuña, Bruno Fernandes, Mathieu, Battaglia, Fábio Coentrão, Doumbia e até Beto.

Paulo Bento depois de ter estado a cheirar o titulo teve o azar de ser pouco e mal reforçado, começando a espiral de distanciamento para os outros rivais. E com isso apenas conseguiu ir mantendo as vitórias nas Taças, e os segundos lugares.

Já Jorge Jesus mesmo fortalecido, e com jogadores à sua escolha, afastou-se cada vez mais dos lugares cimeiros, sacando apenas uma Taça da Liga, como a que Paulo Bento lhe viu sonegada por um dos maiores roubos da história.

Paulo Bento no entanto conseguiu ir lançando todo o talento que lhe foi aparecendo. Nani, Patrício e Moutinho eram craques e subiram rapidamente com ele. Mas até Daniel Carriço, Miguel Veloso e Djaló conseguiram ser muito úteis.

Já Jorge Jesus lançou e bem Gelson Martins, e em parte Podence, mas não conseguiu tirar rendimento de jovens com potencial elevado que lhe foram passando entre os dedos, desde Demiral a Domingos Duarte, passando por Matheus Pereira ou Iuri Medeiros. Quando Djaló foi útil, estes com um treinador capaz alguns destes deveriam ter chegado nem que fosse para suplentes.

Lições para Varandas e Rúben Amorim

Filipe Soares Franco e José Eduardo Bettencourt obrigaram e bem Paulo Bento a apostar na formação. No entanto não lhe terem dado todos os anos 2-3 jogadores experientes e bons vindos de fora limitaram na realidade o que poderia ser feito com aqueles plantéis e Paulo Bento.

Já Bruno de Carvalho deu carta branca a Jorge Jesus, reforçando-o como ninguém mas deixando-o estar à vontade para ignorar a formação em busca de jogadores já mais feitos como tanto gosta ele de fazer.

Estas lições são importantes para Frederico Varandas na forma de armar Rúben Amorim. Rúben já mostrou, e bem, que consegue tirar valor da formação, e deve ser um dos caminhos a seguir.

Mas se Varandas seguir a lógica dos Presidentes de Paulo Bento o fim será certamente o mesmo, e sem os reforços de que precisamos, e reforços mesmo não os Purovics desta vida, Rúben Amorim não conseguirá inverter a espiral recessiva em que estamos.

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