Terça-feira, Janeiro 7, 2020
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Análise táctica ao Sporting 2013-14

Para começar a preparar a nova época é importante também perceber como foi a anterior. A táctica usada, e o comportamento em campo dos seus executantes é fundamental para se perceber a época, e tentar extrapolar o futuro.

A equipa tipo do Sporting na época que findou era basicamente a seguinte. De notar que nas posições onde houve maior rotação aparecem os dois ou mais nomes.

equipa_base_2013_14

A táctica em processo defensivo

O ponta de lança presente normalmente colava ao defesa central caso este tivesse a bola, e por vezes continuava essa pressão até à zona do trinco (mais comum quando era Slimani a estar no onze). Por outro lado os laterais tendiam a ter ordens para descer acompanhando o lateral do seu lado mas numa pressão mais leve e posicional.

No meio campo o André Martins tentava fazer alguma pressão, mas o real processo defensivo começava em Adrien Silva. Era ele que andava de um lado para o outro tentando pressionar o portador da bola. Atrás dele, e colocado numa zona larga entre meio campo e a defesa, a torre William Carvalho num jogo posicional forte cortava linhas de passe e tentava dar um bloqueio a passes aéreos em profundidade.

A linha defensiva era colocada de forma bastante recuada. Os laterais defendiam largo e apenas iam “à queima” em caso de cruzamento eminente.

Dos centrais a dinâmica tipica passava por um Maurício como o homem da primeira abordagem, tanto pelo ar como pelo chão. Nestes casos a velocidade de Rojo permitia uma recuperação de posição para o lugar do Maurício, e normalmente uma reocupação da sua posição de forma dinâmica tanto por Jefferson (em ataque do lado oposto à sua lateral) ou de William (em ataques vindos pelo lado de Jefferson). Esta dinâmica, muitas vezes com o auxilio para o espaço entre linhas de Adrien, permitia uma defesa estável e sólida, mas não muito agressiva (fora Maurício) no primeiro ataque à bola.

De Patrício há pouco a dizer. Teve uma época com muito menos trabalho, visto existir uma defesa mais sólida, do que em outras épocas, mas foi sempre uma unidade de valor na estrutura.

A Táctica em processo ofensivo

Com as linhas bastante recuadas, e sem ordem para desmontar a presença no meio campo, grande parte do processo ofensivo era feito pelas laterais.

Na primeira fase de construção a bola passava quase sempre por William, que depois ou colocaria em Adrien (e em Martins em alternativa) e posteriormente estes colocariam num dos extremos. Normalmente sem grande progressão pelo chão em zona central.

A forma alternativa era a construção começar num dos laterais, que depois colocaria ou directamente no extremo (após percorrer uns metros com a bola) ou via uma troca rápida com Adrien ou Martins.

Chegando ao extremo, caso tivesse oportunidade de cruzar seria a escolha típica, mas em caso de qualquer risco nessa opção, ou defesa já fechada de novo, a bola rodaria de novo para trás até William Carvalho recomeçando o processo.

O serviço ao ponta de lança mudava um pouco conforme o homem presente na frente. Quando surgia Montero eram feitos tipicamente cruzamentos mais abertos (tanto pelo chão como pelo ar), para o espaço, onde a capacidade de desmarcação e antecipação do colombiano fariam estragos. No caso de Islam Slimani o seu serviço era quase sempre pelo ar onde este no meio dos centrais, usando o seu físico e impulsão, ganhava bolas pelo ar muito facilmente enviando-as para a baliza.

Conclusões tácticas

Este sistema do Sporting apresentava uma grande consistência defensiva e uma grande estabilidade. No entanto a falta de uma construção de qualidade na zona central do terreno, também por opção para não desestabilizar o meio campo, e o constante recurso aos extremos levantava alguns problemas. Quando as equipas começaram a defender mais fechadas, marcar mais os extremos, ou quando estes tiveram em sub rendimento (e não são as nossas unidades mais fortes), foram alguns jogos em que parecia que a bola não iria entrar nessa noite.

Foi nessas alturas em que fomos obrigados muitas vezes a jogar com o segundo ponta de lança no lugar de um dos médios (jogando com dois trincos quase), e apostando num jogo directo pelas alas. E teve bom resultado.

Na próxima época o sistema de Marco Silva será diferente, presumo, mas desse falarei em breve, e no que muda em relação a este.

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