Segunda-feira, Junho 21, 2021
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A importância do João Mário, muito ignorada, no título de Campeão

Quando João Mário foi confirmado como jogador do Sporting para esta temporada escrevi as seguintes palavras aqui no Sporting com Filtro: “Disse-o no twitter nos últimos dias e volto a repetir, quem achar que esta não é uma enorme contratação não percebe minimamente de futebol. E seja qual for o lugar no onze que Rúben Amorim lhe reservará será determinamente.”.

E incrivelmente durante grande parte da temporada vimos isso mesmo, muita gente, muitos deles Sportinguistas, a duvidar da utilidade do nosso João Mário no onze.

Sei que para os analistas de números modernos João Mário é um jogador pouco vistoso. Não tem muito golo, logo baixo xG, e nem sequer mostrou muita apetência para fazer os passes de rotura, e ter valores altos de xA’s.

Ao mesmo tempo não anda a seguir os canones da moda, chegando mesmo a mastigar um pouco o jogo. E por isso os mestres da tática do canal onze, que de futebol pouco percebem, e seus seguidores um pouco por todas as redes sociais, o ignoram ou desprezam.

Mas isto faz de João Mário um jogador pouco útil, e pouco relevante no título? Não, muito pelo contrário. E para relevar isso mesmo vou-me recordar do que fez Nani no ano de 2014-15.

Foi uma época excelente de Nani, sendo das nossas melhores unidades, mas em Alvalade era criticado todos os jogos por várias vezes em vez de fazer uma jogada progredir rapidamente parar simplesmente o jogo, segurar a bola e passar para trás.

Quantas vezes vimos João Mário fazer exactamente o mesmo este ano? Muitas certo? E é um dos motivos pelo qual é mais criticado. Mas se formos ver com atenção os jogos completos do Euro 2016, onde ambos foram campeões e decisivos, vemos os mesmos actores a repetir as mesmas jogadas.

Pode parecer pouco relevante, mas é extremamente. São jogadores com talento, visão e inteligência táctica para perceber que o risco de acelerar ali, e poder provocar uma jogada de risco para o adversário, não compensa um risco maior ainda de falhar aí expondo a sua equipa. E quando o momento é mais arriscado caso falhe do que proveitoso caso acerte não têm medo, ou vergonha, de pausar, recuar, e voltar a dar a bola para trás ou para o lado.

Nunca pensem que são jogadores que não viram o passe para a frente naquele lance, ou que não o eram capazes de executar. São apenas jogadores maduros e calculistas que percebem que por vezes é melhor uma acção conservadora.

E no meio de tantos miúdos de sangue na guelra e coração nas mãos a importância de João Mário para este título foi extrema. Concordem os comentadores da moda ou não.

Obrigado João, foste crucial, como muitos outros, para conseguir isto.

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1 COMENTÁRIO

  1. O problema não é ele ser maduro e calculista. O problema é ele ser extremamente maduro e calculista. É muito, mas muito raro ele fazer um passe de rotura ou conseguir avançar mais de 5m com bola nos ultimos 30m do campo adversário. É meio injusto, mas compara o João Mario com um Xavi ou um Iniesta e vês tudo neles que o JM não têm (criatividade e ousadia de arriscar) além de controlarem os momentos do jogo. Para aquela posição prefiria investir minutos de jogo no Matheus ou no Daniel Bragança e ganhar um 8 a sério.

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