Verdade

10 Notas Sobre O Fim Da Assembleia Geral Por Quem Viveu Os Acontecimentos No Local

Este texto foi enviado para por um leitor que sofreu na pele a agressão da Comunicação Social por estar presente na Assembleia Geral do Sporting Clube de Portugal

1 – Após a AG, muito se tem escrito e falado sobre o que aconteceu e palavras como “Insultos”, “Agressões” ou “Tentativas de agressão” foram utilizadas pelos órgãos de CS.

Tendo vivenciado um momento de maior animosidade, mas sem assistir a agressões ou tentativas de tal pelos sócios, não tomei imediatamente por mentira tais acontecimentos, por uma razão muito simples: houve pessoas que saíram antes e após a minha saída, tanto pela Porta 1 como pela Porta 3 do Pavilhão João Rocha, pelo que não deveria julgar aquilo que não presenciei.

Contudo, as imagens passadas referiam-se sempre ao momento que vivenciei. É sobre aquilo que assisti que me pronuncio.

2 – À saída da Porta 1, estava um grupo de jornalistas, separados dos sócios por gradeamento numa zona, e com proteção de agentes da PSP noutra zona. No entanto, era evidente a proximidade entre jornalistas e sócios.

3 – Ao ver o aglomerado de jornalistas, pedi imediatamente que não fosse filmado, o que de nada valeu. Outros sócios pediram para não serem filmados e alguns até foram insistentes neste pedido.

Não quero deixar de fazer uma nota, antes que se tirem as sempre “brilhantes” conclusões de causa-efeito, desprovidas de qualquer argumento. A referência aos órgãos de CS, feita pelo Presidente Bruno de Carvalho não é chamada para o caso. É meu direito exigir que não sejam captadas imagens minhas e o exercício dos meus direitos não tem que ser justificado, sob qualquer pretexto.

Perante este atropelo à nossa liberdade, a forma que encontrei de proteger a minha imagem foi tentando tapar a cara, sem sucesso conforme vim a verificar mais tarde, tal não era o aglomerado de câmaras.

4 – Porque é importante criticar, mas é igualmente importante elogiar, quero destacar o papel da PSP que contribuiu para que os Sócios se fossem afastando da zona onde se encontravam jornalistas. Quero referir o papel de um agente que, calmamente e falando de uma forma serena, me isolou da zona de maior confusão, talvez percebendo quão incomodado eu estava com tudo aquilo.

5 – Não se dando por satisfeitos, enquanto a PSP nos afastava, os jornalistas, em vez de se manterem no local onde estavam, seguiam atrás da PSP, perseguindo os sócios (perseguir é o termo correto) e continuando a captar imagens por muitos desautorizadas.

6 – O rescaldo da AG, e no que a mim diz respeito não se fica por aqui. Ao longo desse fim-de-semana, vi a minha imagem (imagem essa, muitas vezes centrada na minha pessoa), ser indecentemente exposta e associada a atos de violência que nunca pratiquei, ignorando as consequências que daí advém.

7 – Não sendo uma figura pública, a verdade é que todos nós temos família, amigos e uma carreira profissional, sendo que no meu caso trabalho ainda com crianças e jovens. A partir disto, e sobre as consequências, qualquer pessoa consegue imaginar quais têm sido.

8 – Posto isto, lanço os fatos daquilo que presenciei (e apenas isso):

  1. Não vi nenhuma agressão a jornalistas.
  2. Não vi nenhuma tentativa de agressão a jornalistas.
  3. Não ouvi nenhum insulto a jornalistas. Contudo, é da mais elementar justiça dizer que o ruído que se gerou era muito e que, mesmo que tenham sido proferidos insultos a jornalistas, seria normal não os ter ouvido.

9 – Falando em “privação de liberdade”, “insultos”, “agressões” e “tentativas de agressão”, coloco também algumas questões:

  1. O que significa um cidadão ser filmado, mesmo depois de exigir que não fosse?
  2. O que significa um cidadão continuar a ser filmado, mesmo procurando cobrir a cara?
  3. O que significa um cidadão ser perseguido por jornalistas e continuar a ser filmado?
  4. O que significa um cidadão ver a sua imagem (muitas vezes em grande plano) ser associada a “insultos”, “agressões” e “tentativas de agressão”, de forma repetida e por vários órgãos de CS, sem que tenha praticado qualquer um desses atos?
  5. Com tanta câmara que por lá existia e com a protecção policial que os jornalistas tinham, será que nem um conseguiu filmar uma só agressão, ou tentativa de agressão?

O momento de maior exaltação que se vê nas imagens e que também presenciei, foi quando um sócio apontou o dedo a um jornalista, separado dele por uma barreira policial. Soube depois (neste caso, apenas porque me contou) que, primeiro exigiu não ser filmado, e depois que o mesmo jornalista fosse identificado pela PSP.

10 – Para concluir, utiliza-se frequentemente a expressão “estar no local errado, na hora errada”.

Isso é algo que também não aceito, pois num estado de direito não existe nenhum local público onde um cidadão inocente possa estar “à hora errada, no local errado”. Tal como é hábito, sejam eleições autárquicas, sejam legislativas, seja em AG’s eleitorais do meu clube, seja em AG’s comuns, desloquei-me a um local para exercer não só o meu direito, como o meu dever. Fui assim educado e é a isso que a minha formação cívica me obriga.

Não aceito, em circunstância alguma, que tudo isto possa ser reduzido a “estar no local errado, na hora errada”.


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Comentários

Um comentário a “10 Notas Sobre O Fim Da Assembleia Geral Por Quem Viveu Os Acontecimentos No Local”

  1. Quando saí da AG também não vi nenhuma agressão ou tentativa da mesma…
    Ouvi sim alto e bom som algumas vozas a chamar : “chulos”…e “vão para junto da porta 18…”

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