william

Houve uma questão táctica curiosa na partida do passado sábado contra o Marítimo em Alvalade. William Carvalho pela primeira vez na equipa principal ocupou a posição 8 do terreno, normalmente reservada a Adrien Silva. Vamos tentar analisar um pouco os motivos, e as consequências disto mesmo.

Porque usar William Carvalho a 8?

Bem, primeiro que tudo porque não havia Adrien Silva devido a castigo.  Com isto teria de se arranjar um substituto. João Mário poderia ser a primeira escolha, mas faz falta mais a frente, e claramente que não tem as mesmas qualidades de pressão defensivas. A outra escolha que tinha vindo a acontecer seria usar Aquilani. E quando se viu o Italiano escalado para o onze inicial muitos pensaram nisso.

Mas na realidade o Aquilani colocou-se mais atrás, na posição 6. E fez muito do jogo os movimentos do típico 6 de Jorge Jesus, colocando-se entre os centrais quando os defesas laterais subiam. E com isto vimos William Carvalho a subir mais no terreno em busca dos adversários. E a pressionar com muito vigor. Coisa que normalmente evita fazer, usando mais uma forma de contenção menos pressionante.

E as consequências disso?

Muito positivas. Não só o momento ascendente de William se mostrou na capacidade que demonstrou ao pressionar durante quase todo o jogo. Como ainda vimos William com mais espaço para em posse usar aquele seu drible de locomotiva. Um drible que faz lembrar um pouco o de Yaya Touré, em que controlando devidamente a bola e usando todo o seu fisíco faz os adversários parecer umas formigas a tentar roubar a bola a um elefante.

Além disso permitiu William aparecer mais perto das zonas de finalização, e ter oportunidades de golo flagrantes. Numa delas deu um falhanço de golo. No outro aconteceu isto:

 

Pura magia de William. Um remate do seu pé menos dotado depois de uma excelente recepção orientada que tirou o adversário do lance. Resultando num golo de belo efeito. Isto aumentará a confiança de William na hora do remate, mesmo não sendo essa a sua maior valência.

Mas penso que isto irá mudar pouco para o restante da temporada. Adrien está um jogador monstruoso, e tem sido das nossas melhores unidades. Dificilmente irá completar outra série de amarelos, e espero sinceramente que nunca seja expulso. Com a cadência de jogos que teremos até ao fim, poderá ser sempre titular.

Pode ser muito relevante é para a Selecção Nacional. Em alguns jogos Fernando Santos ensaiou losangos usando dois oitos. Especialmente para jogos contra os adversários mais fortes usar dois oitos de pressão, e ainda um trinco como Danilo, poderá ser usado. E ver um meio campo com William e Adrien ao mesmo tempo a oito, seria uma dura barreira para qualquer equipa do mundo furar.

Mas no fundo é mais uma prova do super jogador que William é. E que é bem mais versátil do que muita gente o vê. Felizmente Jorge Jesus sabe mais que isso.

6 COMENTÁRIOS

  1. Não concordo muito com o que dizes..

    Se reparares o William quando defendiam estava sempre mais atrás do Aquilani, até nas transições de saida da bola da defesa. Mas curiosamente depois de passar para a zona de araque ele e Aquilani invertiam muitas vezes os papeis, ficando Aquilani atrás e adiantando-se o Willaim. Na minha perspectiva jogaram quase lado a lado tendo o William a missão de recuar mais quando defendiam e avançar mais quando atacavam… revê lá bem o jogo…

    • O William ia à pressão, por vezes recuando mais que o Aquilani sim. Mas se vires os movimentos do Adrien são esses mesmo. Quando em pressão por vezes também acompanha até mais atrás que o William.

      E tal como o William fez neste jogo também joga mais ou menos a par muitas vezes.

      • 1 – tens razão do que dizes das movimentações William+Adrien vs as deste jogo William+Aquilani.

        2 – Estive a rever ontem o jogo e contrariamente à minha impressão no estádio e posterior (e tb tua pelos vistos), apenas houve uma pequena fase da 2ª parte em que o William jogou mais adiantado, a maior parte das vezes era o Aquilani mais à frente. As impressões sobre movimentações são lixadas porque passam por várias fases e a fase mais produtiva desse jogo foi quando o William se adiantou 🙂

  2. Esta é uma antiga luta que tenho quanto à posição do William. O Sporting utiliza, no momento ofensivo, os dois laterais como extremos. Como forma de compensação o William encaixa entre os centrais (posição em que já jogou bastantes vezes, sobretudo na Bélgica), deixando que estes abram e façam a cobertura das costas aos laterais. E isto deixa o William muito longe da zona de recuperação imediata aquando do momento defensivo inicial: quanto mais longe da bola ele estiver, mais tarde mata a jogada. Se bem se lembram, com o Leonardo Jardim, o plano B consistia precisamente em fazer com que o William subisse uns 15 metros no terreno, recuperava a bola mais cedo e o ataque do Sporting começava mais cedo, com a equipa a manter-se nas suas posições ofensivas (o grande contra é que se o adversário passa esse primeiro momento de pressão, não há ninguém para a contenção). Foi um esquema que deu bons resultados em diversos jogos. O sistema do JJ é semelhante ao sistema do MS, no sentido em que parte importante do jogo ofensivo se passa nas alas (com as virtudes que sabemos). Infelizmente isso retira a bola das zonas onde o William faz mais diferença, dando-lhe um papel mais de equilibrador, de compensador, do que de desequilibrador. Para mim é um esquema em que sai menos valorizado.
    Na análise feita há um aspecto com o qual não concordo, o sistema de dois 8 pode ser muito vantajoso contra adversários mais fracos – uma forte pressão e capacidade de recuperação imediata da bola (mesmo com o risco de deixar espaço nas costas dos laterais – porque jogando com médios mais interiores esse espaço existe junto à linha) podem ser soluções asfixiantes para quem esteja do lado de lá – o dinamismo e inteligência do Leão Adrien e a parede humana e compostura debaixo de fogo de Sir William.

    Não pretendo estar certo, é apenas a minha opinião que gostaria de partilhar convosco.

    • Tens de ver uma coisa, no início da época o William era o unico que sabia sair a jogar das zonas defensivas, por isso o Jesus gosta muito de encostar o “trinco” (que não são bem trincos aos centrais quando pretende sair a jogar. Neste momento temos bons centrais para sair a jogar, mas como o treino prevalece e mudar hábitos é difícil continua a acontecer o mesmo 🙂

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