Luís Figo

Cada vez que um jogador chega ao Sporting e escolhe a camisola 7, a mesma com que Luís Figo se mostrou ao mundo, lá vem a comunicação social, e alguns Sportinguistas com a história da maldição da camisola 7.

Mas fará algum sentido esta suposta maldição? Será que bate certo com os números?

Nada como perder um pouco de tempo e meter os dados numa boa velha tabela e ver o que nos dizem.

Os Números dos Camisolas 7 de Alvalade

1995 1996 Ricardo Sá Pinto 38 14
1996 1997 Ricardo Sá Pinto 29 8
1997 1998 Ivaylo Iordanov 19 4
1998 1999 Leandro Machado 10 3
1999 2000 Delfim 21 3
2000 2001 Ricardo Sá Pinto 25 5
2001 2002 Marius Niculae 23 10
2002 2003 Marius Niculae 23 5
2007 2008 Marat Izmailov 47 8
2008 2009 Marat Izmailov 35 4
2009 2010 Marat Izmailov 23 2
2010 2011 Marat Izmailov 3 0
2011 2012 Valeri Bojinov 16 3
2012 2013 Jeffrén Suárez 21 2
2013 2014 Shikabala 1 0
2014 2015 Shikabala 0 0
2016 2017 Joel Campbell 29 3

1995-1999 A Primeira Fase

Comecemos por Ricardo Sá Pinto, e facilmente vemos que foram das suas melhores épocas foram feitas com a nossa 7 vestida. E sempre acima dos 25 jogos apimentados com golos.

Iordanov apenas jogou um ano com esta camisola. E realmente jogou pouco nesse ano. Mas a sua doença, uma esclerose múltipla, é tudo menos algo que possamos atribuir ao futebol ou a uma bela camisola 7.

Leandro Machado, um dos pontas de lança com mais classe que vi jogarem por nós. Tanto de talento como de mau profissional. E uma primeira época muito forte, com 38 jogos e 15 golos. Isto com a camisola 18 vestida.

Na época seguinte começou com a mítica 7, fazendo 10 jogos, e 3 golos, mas rapidamente os problemas da vida boémia que levava o levaram a ser emprestado para fora do clube. Vamos achar que a maldição é que o levava para o noite para o álcool e as mulheres? Acho que não é bem por ai.

2000-2003 A Fase dos títulos

Chega a temporada de 1999-00 e o tão desejado título. Neste ano Delfim alinhou em 21 partidas, marcando com o seu pé canhão três golos. Alguns problemas físicos realmente aconteceram. E mais tarde viria a ter muitos mais. Mas na única época que fez com a sete não foi propriamente a sua mais azarada.

Na temporada seguinte regressou Ricardo Sá Pinto e reclamou a sua 7. Não sendo a sua temporada mais regular, alinhou por 25 partidas marcando um total de 5 golos.

Chegado a Alvalade Marius Niculae em 2001-2002 pediu a 7 que sempre usava. Entrou bem na temporada, integrando com João Vieira Pinto e Jardel um tridente mortífero. Uma lesão grave afastou-o de metade da temporada, e sinceramente nunca mais foi o mesmo. Mesmo assim fez 23 jogos e 10 golos. E na temporada seguinte em que também usou esta camisola conseguiu superar os 20 jogos. Maldição? Pode ser o mais azarado até aqui, mas não acho que justifique chamar maldição.

2007-Presente – Marat Izmailov e os Cromos

Os jogadores são supersticiosos, e depois de Niculae a camisola 7 ficou até 2006-2007 sem dono.

É aí que entra em cena Marat Izmailov. Chegou em 2006 e em grande forma. Fez 47 jogos essa temporada, e na seguinte 35. Nada de maldição certo? Depois de mais de 100 jogos de leão ao peito, e com a 7 vestida, lá se lesionou. E partir daí não se reencontrou mais, mas como acontece a muito bom jogador. Mas maldição? Só se vem com um atraso dos grandes.

Depois disso Bojinov, e dá vontade de perguntar se a maldição era da camisola ou da cabeça? É que todos nos lembramos da passagem deste senhor por Alvalade. E tem muito menos de juízo do que de maldição. E mesmo assim ainda conseguiu alinhar por 16 vezes. Bem mal estava o Sporting.

Na temporada seguinte, 2012-2013, Jeffren Suarez, o tecnicista vindo do Barcelona, passou a envergar a 7. Lembro-me de um jogo em que Jeffren sai do banco, entra em campo, bate um livre directo, e no único toque que faz no jogo marca golo e lesiona-se. Maldição da 7 certo? Bem, tendo em conta que foi um jogador que chumbou nos testes médicos, mas que o Presidente da altura resolveu contratar mesmo sabendo disso, se calhar chamemos outro tipo de maldição.

Depois tivemos 7 Shikabala. Uma jogada de risco desportivo de Bruno de Carvalho, mas boa a nível de marketing, e que acabou a dar lucro. Duas épocas, mas menos de um ano de ligação. Dez minutos em campo. Nenhuma lesão. Era maluco? Sim claramente. Havia maldição? Nem por isso.

Na temporada passada tivemos Joel Campbell. 29 jogos, 3 golos, alguns bons jogos, e o afastamento da equipa quando perdemos o comboio da frente, para dar espaço a Podence. Nada de lesões complexas, e números razoáveis. Bem longe de qualquer maldição.

Existe maldição? Está Rúben Ribeiro a salvo?

Claro que não existe maldição alguma. Claro que é uma história engraçada para repetir. E os jornais sedentos de meter umas notícias fáceis para encher, e que até dão alguns cliques, lá vão repetindo.

Rúben Ribeiro é um excelente profissional, que subiu a pulso na carreira, e que finalmente vai ter o seu lugar ao sol. Acredito que esteja agradecido por esta tardia oportunidade e que vá ser de comportamento exemplar.

E se assim o fizer nada tem a temer da tal maldição. Essa é apenas na cabeça de alguns. Ou na falta de cabeça de outros.

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