O convite já tinha sido feito por muitas vezes, mas desta vez o André acedeu em deixar aqui no Sporting com Filtro as suas ideias. Neste caso concreto sobre o último jogo contra o Nacional, alguns jogadores e Marco Silva. Vale a pena ler.

Já muito foi escrito e falado sobre o jogo em si.

Nas palavras de Marco Silva aquando da conferência de imprensa pós-jogo: “Uma primeira parte em que a nossa equipa não teve dinâmica nem foi acutilante. Foi um jogo muito repartido, o Nacional teve muito jogo e não estivemos fortes, aí. Na segunda parte, fizemos o que tínhamos a fazer e o Nacional apenas apareceu em lances de bola parada”.

Impossível de não concordar com Marco Silva para quem foi um dos mais de 30 mil que assistiu o vivo ao jogo.

Mas não pretendendo me arrogar de saber 1/100 de futebol de MS, gostaria de acrescentar umas notas pessoais:

  • Capel foi um jogador a menos. Demasiado agarrado à linha, foi presa facil para o lateral Nacionalista e, pior, não oferecia grande ajuda a Jefferson a defender. A dada altura virei-me para o meu amigo e disse que o Nacional tinha encontrado a via verde daquele lado, apesar das unidades mais perigosas do adversário actuarem pela nossa direita.
  • Jefferson precisa rapidamente de crescer a nível de inteligência tactica se algum dia quiser atingir o nível que de potencial que aparenta ter.
  • Rosell é um jogador limitado. Sem a confiança para manter a bola no pé mais do que 3 segundos seguidos, pouco mais serve do que para destruir e nem sempre da melhor forma. Um jogador interessante para outros clubes que não o Sporting que tem de jogar 95% dos jogos internos com alto pendor ofensivo. Alternativas a William? Ver adiante.
  • Já se sabe que Cedric não é um primor a centrar. Já se sabe que Cedric não arrisca muito para além do jogo vertical junto à linha. Mas deve ser o único jogador do Sporting actual capaz de correr 90’ sem descansar. Um pulmão incrível. Era preciso mais? Que tal ter uma boa noção de espaço e de compensar os colegas da defesa? Neste aspecto, Jefferson está a anos luz atrás de Cedric.
  • Centrais serenos na larga maioria dos lances apesar de terem de enfrentar um tanque chamado Boubacar e uma táctica adversária que passava por pouco mais que ganhar as 2ª bolas.
  • Mané, talvez por ordem do treinador para prender Marçal, raramente largou a linha, não procurando espaço interior. Lembro-me de um lance na primeira parte em que a bola circula para o lateral Cedric (junto à linha), que passa a Mané (junto à linha) e onde não aparece ninguém para dar linha de passe interior. Claro que a bola foi rapidamente ganha pelo Nacional. No estádio gritei que estava uma “porra de um clareira entre linhas!”. Na segunda parte Mané subiu muito de rendimento, talvez porque Marco Silva lhe tenha dado redea solta e porque, ocupando a esquerda, soltou-se de Marçal.
  • Tanaka pouco acrescentou. Completamente perdido em campo, raramente aparentou ter algum tipo de ideia do que lhe era pedido. Ou então pediram-lhe aquilo que o jogo não estava a pedir e ele não entendeu que podia fazer alguma coisa diferente.
  • Montero na primeira parte foi pouco melhor que Tanaka. Jogaram lado a lado no ataque e nunca deram linha de passe interior. Na segunda sobe muito de rendimento, ou não tivesse marcado 2 golos de excelente oportunidade. Um verdadeiro avançado (e não um 10 como dizem que é). É possível (e só tem vantagens) ter um ponta de lança de técnica apurada. Excelente o trabalho a libertar Mané no derradeiro lance do jogo que culminou no 2º golo.
  • Carrillo e Adrien. Falo dos 2 em conjunto porque ambos mexeram no jogo de forma decisiva. Carrillo porque amarrou Marçal da melhor forma (fez do jogador Nacionalista o que quis), e Adrien porque deu mais uma linha de passe para o armador de jogo que durante 90’ tentou descobrir lances de ataque. Essa linha de passe passou a ser decisiva porque obrigou o meio campo do Nacional a abrir espaços. Rosell até então pouco mais fazia do que arrastar o marcador directo, estando sempre mais preocupado em defender do que atacar. Inclusivé quando estavamos a atacar.
  • André Martins. Há quanto tempo não viamos um jogador constantemente vir buscar a bola aos centrais e, de frente para o jogo, decidir uma linha de passe? E é aqui que André Martins é bom. Bom não. É excelente. Sim, já sabemos que André Martins tem pouco “corpo”, tem pouca resistência ao choque. E onde é que constantemente os treinadores o punham a jogar? A apoiar os avançados. Precisamente a zona do terreno onde há menos espaço e mais contacto fisíco. AM é um 8. Sempre foi um 8. Até joga com o número 8! William a 6 e André a 8 oferecem uma qualidade de passe e posse que nenhuma outra dupla pode oferecer. Adrien não de certeza. E João Mario também não. Pelo menos para já.

Se faltar William (e cheira-me que não o vamos conseguir segurar para a próxima época) não estará uma solução em Adrien a 6 e André Martins a 8?

Deixo a pergunta.

Acrescento soluções sem William com o plantel actual:

  • Adrien, André Martins e João Mario quando se precisa povoar o meio campo. Isto nem sempre é sinónimo de se jogar mais retraído. Depende do tipo de jogo predilecto do adversário (em posse e construção desde trás).
  • Adrien, André Martins e 2 avançados “centro”. Quando o controlo do meio campo é oferecido pelo adversário (como o Nacional) sendo que um dos avançados deve procurar, sempre que necessário, o espaço entre linhas para receber e tabelar.

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