Um titulo oficial sabe sempre bem. Uma vitória num jogo em que subjugamos claramente o adversário melhor ainda. E quando esse adversário é o clube de Carnide é a cereja em cima do bolo. Mas isso não implica de depois a frio se tentar perceber o que correu bem e mal e como tudo se processou.

Na vertente táctica, como era de esperar, Jorge Jesus revolucionou em relação ao passado recente do Sporting e apresentou-se num ousado 4-2-4. Bem sei que muitos jornalistas actualmente chamam a este sistema 4-4-2, mas para mim continuo na designação clássica, deixando o 4-4-2 para quando se usa médios alas, e não extremos puros como é o caso de Jorge Jesus.

O Benfica já sabia que isto ia suceder, e daí ter reforçado o meio campo usando três médios entre 1.85M e 1.90M. Três torres para conseguir travar o duo dinâmico, com menos de 1.80m, Adrien Silva e João Mário. E mesmo assim de nada serviu. A alta rotação, a defender e a atacar, dois dois médios leoninos dominou por completo, e a pressão que o quarteto da frente sempre efectuou sobre as linhas adversárias impediu qualquer tipo de circulação cuidada do conjunto encarnado.

Claro que não são tudo rosas, e a vontade de fazer sempre tudo e de decidir sempre rápido de Adrien Silva fez com que alguns passes fossem menos acertados.

Na defesa foi um caso de Dr. Jekyll e Mr. Hide. Nas laterais todo o coração do mundo, sangue quente, e energia de Jefferson e João Pereira. Correram quilómetros, deram-se a todas as lutas que apareceram, e saíram por cima na maioria das vezes. Em contraste os dois centrais numa tranquilidade total fora a fortaleza sobre qual toda a equipa assentou. Sempre atentos, sempre presentes na zona recuada preparados para intervir. E nada passou por eles. Muito bom jogo de Naldo, mas mesmo assim inferior a Paulo Oliveira. Este último de forma completamente imperial, como já há muitos anos não via num central em Alvalade. A jogar assim a selecção nacional tem de ser o seu próximo passo. Que jogador.

Na frente de ataque um Carrillo endiabrado recebeu todos os louvores por parte de adeptos e comunicação social. Rasgos inspirados, mais objectivos que antes, e um golo a meias. Excelente jogo, mas tendo a discordar de que tenha sido ele o melhor extremo. Isto porque Bryan Ruiz me caiu definitivamente no goto. Que jogão ele fez. Em sete ou oito lances apareceu em zonas inesperadas prestes a receber um passe fora da zona de acção da defesa contrária. E conseguiu receber as bolas quando enviadas para esses espaços, e decidir bem. Não deu em golo por agora, mas acredito que muitos golos virão deste tipo de investidas.

Téo Gutierrez marcou a meias sem querer um golo com André Carrillo, e disso teve pouca culpa. Esteve desligado do resto da equipa nas trocas de bola quando descaia para a posição 10, talvez ainda por falta de entrosamento. Mas não me sai da retina o golo que erradamente lhe anularam. A forma como aparece, recebe a bola, e finaliza é qualquer coisa de mágico. Isto é um matador no verdadeiro sentido da palavra. Muito espero dele, e cada vez mais.

Já Slimani esteve imperial. A quantidade de trabalho que o internacional Argelino produz em cada jogo é brutal. Ainda hoje os defesas do Benfica devem estar a dormir mal a sonhar com as investidas do nosso 9. Mesmo sem ter marcado foi um dos nossos melhores em campo.

Já Rui Patrício teve pouco mais trabalho que os elementos das claques, mas acredito que caso fosse preciso lá estaria para resolver a situação.

Numa nota interessante, e de ruptura com Marco Silva, Jorge Jesus lançou Rúben Semedo para defender um resultado quando o adversário colocou toda a tracção à frente de forma a atacar fisicamente a nossa zona central. Se Marco Silva tivesse tido a mesma inteligência aquando do jogo contra o Maribor, e mesmo contra o Benfica, se calhar a época teria sido muito diferente…

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