Escrevo hoje este texto ainda com um enorme amargo na boca. Vi um Sporting a jogar um bom futebol, e um Nani monumental. Muita bola, muita garra e até mesmo galhardia. Nani e Carrillo a entrarem na zona central do terreno a combinar com André Martins e mais uma vez a servir quem quer que aparecesse.

Nani a assumir o jogo com uma enorme vontade, jogadas de génio mesmo. Um talento que não via à demasiado tempo num relvado em Portugal. E um resultado final pobre, bem pobre.

Sobre a arbitragem não falarei hoje, nem sobre o anti-jogo do Belenses. Talvez o faça nos próximos dias, mas hoje quero falar sobre o jogo mesmo.

Pontos Positivos

Antes demais Alvalade bem composto e em festa. Como sempre devia ser.

Nani merece todo o destaque. Pela atitude, de trabalho, de liderança e de querer. Não teve medo de assumir o jogo, mas tão depressa defendia como atacava. Fez várias assistências que eram mais de meio golo. Infelizmente não o foram. Os duelos individuais que travou, contra um ou mais adversários, foram pura magia.

Também Carrillo esteve bem,  e não só pelo golo. Ganhou também alguns duelos individuais, e entrou também muito pelo centro do terreno. E claro, finalizou muito bem o lance do golo.

Os movimentos interiores dos extremos, criando o caos no centro da defesa adversária e abrindo espaço para os nossos defesas laterais subirem.

A posse de bola, e a quantidade de oportunidades criadas. Há muito tempo que não via tanto futebol criado num jogo deste tipo. Isto sim é uma forma de jogar com os nossos pergaminhos. Não tem ainda os mesmos bons resultados que o pragmático Leonardo, mas é este o caminho.

E claro, Rui Patrício. Mesmo tendo sido posto à prova três ou quatro, contra as dezenas de Matt Jones, foi de uma eficácia brutal. A defesa frente ao Deyverson isolado é magnifica. Custa-me acreditar que ainda há quem diga que era melhor ter saído.

A coragem táctica de Marco Silva também me ficou no goto. Primeiro em fazer aquilo que já se tem feito, tanto por ele como Leonardo Jardim, em tirar um médio e meter um segundo avançado. E depois indo ainda mais além, e a mais de dez minutos do fim colocar um terceiro avançado por um central. Não resultou em golo, mas arriscou sem medo. E este tipo de atitudes terão sempre o meu apoio!

Pontos negativos

O resultado claro. Não ganhar é sempre mau, quando é em casa pior ainda. Felizmente não se perdeu pontos para a frente do campeonato, porque o Porto também não ganhou, mas isso é pouco.

O centro da nossa defesa falhou redondamente, e várias vezes. Gosto muito de Sarr, e acho que temos ali ouro, mas é como já disse noutras ocasiões, faz lembrar muito o primeiro ano de Marcos Rojo. As paragens cerebrais estão lá, e podem custar pontos. Desta vez foi um dos culpados no lance do golo. E noutros também.

Mas ainda me chateia mais Maurício. O Xerife está a jogar bem pior que o ano passado. No lance do golo é menos culpado que Sarr, mas nos outros lances é igualmente culpado. Está a ressentir-se em demasia da falta de um companheiro com classe e já alguma rodagem. Não sei se não vale a pena arriscar ainda mais e meter dois jovens (Sarr e outro) do que o Xerife…

Da quantidade de remates para a atmosfera. E eu gosto que os jogadores arrisquem e atirem de longe. Até costumo dizer que não critico que se remate. Mas desta vez podiam ter pensado mais por vezes. Nani teve a bola em inumeras ocasiões de tiro que preferiu passar. André Carrillo também decidiu bem. Os outros… Bem muita gente arriscou vista demais. Marco Silva tem de colocar isto bem presente nos jogadores.

Slimani esteve mal. Não por falta de esforço, mas por causa do que o jogo trouxe. A sua finalização com os pés é aceitável, mas não genial. E por pouco ia fazendo um grande golo a passe de Nani com os pés. Mas ontem a maioria do futebol foi rendilhado e a chegar à area com a bola controlada, para finalizar em desmarcação e remate. E aí ele apareceu pouco e mal. Talvez fosse o jogo para Montero ou Tanaka.

Carlos Mané, jogador que aprecio bastante, entrou mal. Esforçado sim, voluntarioso mesmo, mas com um completo desacerto em termos de remate. Em passe menos mal, mas mesmo assim abaixo do que sabe e deve.

Diego Capel foi dos melhores defesas do Belenenses. Cada lance em que se envolvia, e não dava a bola passados dois segundos, era um lance perdido. Para este tipo de jogo meter a cabeça no chão e tentar sacar o cruzamento não serve. Foi uma pena ter entrado por Carrillo.

E claro, o que mais me chateou foi mesmo a falha geral de finalização. Um pouco de acerto apenas, e mais critério na hora de rematar, e era vitória fácil e por números expressivos.

Conclusão

Um jogo perdulário ao extremo. Ver pessoas a criticar o que Marco Silva fez e decidiu parece-me parvo. Fez as melhores escolhas possíveis a meu ver, tirando a entrada de Capel, mas fora isso esteve bem. Como tem estado sempre. A equipa apresenta bom futebol, melhor que o ano passado, e as ideias parecem certas. A bola é redonda, e nem sempre se ganha, mesmo jogando melhor. Agora tem de se ganhar o próximo jogo. E isso os jogadores têm de saber!

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