Rúben Semedo

Muitas linhas se tem escrito sobre o retorno de Rúben Semedo ao Sporting. Especialmente após a contratação de Coates. No entanto devemos lembrar que o campeonato é longo. E que é normal uma equipa grande contar com quatro centrais. Logo tendo em conta que Ewerton está num estado físico mais incerto que nunca, Rúben Semedo poderá ser um quarto central na realidade.

Mas e se na realidade ele tiver vindo para o lugar de William, onde já foi testado na pré temporada? Bruno Paulista chegou e lesionou-se. Quando William tem ficado de fora a primeira escolha tem recaido sobre Adrien, recuando da posição 8, ou Aquilani, que no esquema de Jorge Jesus é também um 8.

Será Semedo mais William que qualquer um deles? Não sei bem, mas nenhum deles é realmente parecido com William. Aquilani tem a calma e a classe. Mas não é propriamente um jogador defensivo. Adrien Silva é um pitbull. Faz pressão a campo inteiro com uma energia inesgotável. Logo para começar nenhum deles é bem William.

Vamos então analisar o que Jorge Jesus quer de um seis, e onde coloca William.

Momento Defensivo

Quando a equipa está sem bola quer que seja um elemento entre a linha defensiva e média, fazendo a ligação em pressão de ambas.

Isto é precisa de estar livre, e com capacidade para chegar a posição de corte, tanto pelo chão como pelo ar, e saber quando agir. E caso consiga recuperar a bola é o primeiro construtor colocando a bola jogável numa das unidades de meio campo, ou num dos extremos.

Neste capitulo Rúben Semedo cumpre todos os pressupostos. Tem menos sentido posicional que William, mas é-lhe superior tanto em velocidade como impulsão. Tem um bom tempo de corte, se bem que aqui o seu temperamento volátil o leva a entrar demasiado duro por vezes. A nível técnico é bastante competente. Isto claro sem a visão de jogo de William.

Ou seja para o momento defensivo Adrien poderia fazer perfeitamente o lugar também, está talhado para isso. Perde a componente de jogo aéreo, mas fora isso seria uma escolha aceitável.

Aquilani por seu lado não está talhado para estas tarefas. Apesar de ser um jogador de classe inegável é-o sobretudo em posicionamento e qualidade técnica. Até tem a estampa física necessária para os duelos aéreos, mas falta-lhe agressividade para um modelo que depende do seis para equilibrar as linhas em processo defensivo.

Momento Ofensivo

Quando a equipa parte para o ataque as equipas de Jorge Jesus transformam-se. Os alas flectem ligeiramente para o meio, e os defesas laterais avançam dando a largura do terreno necessária para um ataque total. Com isto o seis recua para o meio dos centrais, ficando como um terceiro elemento da linha.

Rúben Semedo como central de formação entra nesta fase do jogo de forma tranquila. Sendo também capaz de receber a bola e iniciar nova vaga do ataque como muitas vezes é pedido contra equipas mais fechadas.

Adrien não é, nunca foi, e admito que nunca será um central. É um homem talhado para correr quilómetros no meio campo, fazendo movimentos a toda a largura. Colocá-lo numa posição mais fixa, de retenção, entre centrais é tirá-lo da sua praia. E raramente consegue manter essa posição muito tempo.

Já Aquilani consegue saber estar numa tarefa mais posicional. E devido à sua cultura táctica e físico consegue cumprir este papel de forma aceitável. Com o extra do seu passe longo poder fazer partir segundas vagas de ataque ainda mais mortíferas.

Conclusão

Nem Adrien nem Aquilani conseguem ser uma solução para este modelo a cem por cento. Rúben Semedo, com todas as suas limitações, consegue-o, e continua a ser um jogador com excelente potencial. Além disso é um central extra para qualquer eventualidade. Isto faz dele um jogador útil para ter no plantel, e mesmo no banco.

E sim, penso que neste momento seja a melhor alternativa a William que temos.
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2 COMENTÁRIOS

  1. Concordo com a análise feita em quase tudo, falhando num aspecto importante: Wílliam é cada vez menos William. Neste momento é um jogador sem chama e mesmo sem utilidade em campo. No momento defensivo é brando no ataque ao portador na sua zona de acção, falha cortes no chão, falha cortes no ar, perde a posse de bola em transição, falha passes ou limita-se a parar o ritmo de jogo com lateralizações. Em momento ofensivo então é absolutamente inconsequente: raramente sobe ou progride com a bola (e quando o faz é um perigo para a própria equipa), deveria de facto encaixar entre os centrais para que um deles compense as costas do lateral – mas quantos golos não sofremos nós já este ano com jogadas em que a bola é transportada pela lateral de forma rápida e posta depois na área para concretização? Inúmeras! E o William não tem vindo a ser solução. Se não está em forma, então não deve jogar. Se está bem fisicamente, então que se perceba o que se passa na cabeça. Porque neste momento qualquer solução (Adrien, Aquilani ou Semedo) são melhores do que ele.

    • Custa-me muito admitir isto, mas é verdade.

      O momento de forma de William é deplorável, seja por motivos físicos ou mentais. Agora resta saber qual o melhor tratamento, se é manter em campo se substituir.

      No entanto no jogo contra o Paços esteve um pouco melhor. Vamos ver amanhã se é a tendência.

      Penso que a colocação dele a bater penaltys passa num plano por o recuperar por parte de Jorge Jesus, e que até já nos pode ter custado pontos…

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