O nome de Ricardo Esgaio começou a surgir frequentemente na boca dos Sportinguistas desde a restauração da equipa B faz agora três anos.

Apesar de não ser nem alto, nem fisicamente possante, o jovem jogador tinha uma característica que saltava à vista de todos: estava sempre no lugar certo.

Juntando a isto uma capacidade de decisão claramente acima da média levava-o a conseguir fazer uma quantidade de golos e assistências superiores a jogadores mais dotados tanto fisicamente, como tecnicamente.

A sua qualidade ao ler o jogo, e interpretar aquilo que o treinador pretendia dele, tornaram-se a sua maior vantagem. Mas também o seu maior defeito. Por um lado permitia-lhe ter espaço tanto no plantel da B como da A, visto poder ser colocado em qualquer posição. Por outro lado foi sempre usado como o tapa buracos. Onde faltava um jogador lá ia parar o Esgaio.

Neste momento foi emprestado à Académica de Coimbra. Algo que provavelmente deveria ter acontecido logo no inicio da época, mas que foi adiado por causa da indecisão sobre Miguel Lopes, e que o manteve como suplente de lateral direito da equipa principal.

Dotado das qualidades mentais acima salientadas não deixa de ser um jogador tecnicamente interessante. Não sendo um driblador por excelência é na qualidade com que recebe a bola, e a consegue recolocar nos colegas que se apresentam os seus maiores predicados técnicos. Raramente um passe simples sai falhado das pés do jogador natural da Nazaré.

E os passes que falha são passes que envolvem risco, mas que se a bola por ventura encontra o colega a quem a endereçou será uma ocasião de perigo eminente.

Junta também a isso uma disponibilidade sem limite para abordar cada lance. Apesar do seu 1.73m não para um minuto, e nunca evita o contacto. E desistir é algo que se nota que não está no seu ADN.

A grande questão é em que zona do campo se poderá potenciar mais estes talentos.

Fez grande parte da sua formação como extremo direito. A sua inteligência, aliada a alguma velocidade, permitiam ganhar algum espaço ao adversário e armar um cruzamento bem alinhado. Muito à imagem que tornou Luís Figo um dos melhores assistentes que vi jogar. No entanto nunca se viu o mesmo potencial no um contra um do antigo bola de ouro.

Por isso, e por excesso de boas opções nas alas ofensivas da nossa formação, foi começado a ser testado a lateral. Raça, determinação e querer ajudam no capitulo defensivo. A sua inteligência ajuda a saber-se posicionar, o que o torna competente nesse capitulo. As suas incursões ofensivas são boas, mas isso seria sempre de esperar de um extremo adaptado.

Mas as dúvidas surgem cada dia mais fortes. Inteligência, ocupação de espaço, controlo de tempos de jogo, passe curto e longo, e mesmo um bom remate. Serão isto as características de alguém colado às alas a jogar? Normalmente associamos na ala a velocidade e drible acima de quase tudo.

As características de Esgaio apontam cada dia mais para outro tipo de tarefas. As tarefas de um potencial grande jogador do centro do meio campo. Onde terá mais oportunidades para ajudar a pensar todo o jogo da equipa, a pressionar e a recuperar. Não é um portento fisico, como se pede cada vez mais a um meio campista, mas é um portento mental.

Como irá Paulo Sérgio o utilizar na Académica? Espero que bem, porque será muito importante para a carreira deste jovem Nazareno, um dos nossos bons activos da formação e que espero siga as pisadas de Adrien e Cédric e volte com a lição bem estudada de Coimbra!

 

Deixar uma resposta