Faz hoje quarenta e quatro anos Pedro Barbosa. Dez anos de leão ao peito, muitos deles a capitanear a equipa, com dois campeonatos e muitas taças levantadas, além de uma final europeia. Nem sempre amado pela bancada, mas digam o que disserem foi um génio que passeou classe pelos relvados.

Começou a carreira nas camadas jovens do Futebol Clube do Porto, mas não tendo espaço foi parar ao Freamunde. Mostrando logo um talento acima da média para a idade ao fim de dois anos teve a sua chance no Vitória de Guimarães. Nos quatro anos que serviu o clube da cidade berço espalhou classe, e atraiu olhares de clubes de maior nomeada.

Corria o verão de 1995 e o Sporting ficava de repente órfão de um lote de criatividade gigantesco. De uma assentada só saiam Luís Figo e  Krasimir Balakov, apenas dois dos melhores jogadores que vi vestirem de verde e branco. Quem foi o escolhido pela direcção para tomar a batuta do meio campo? O jovem Pedro Barbosa.

Dono de um toque de bola fenomenal, para mim melhor que Zidane por exemplo nesse capitulo, e uma classe fora de série. A juntar a isso uma calma que podia meter as bancadas contra si por vezes, mas que me dava um gozo inquestionável.

E depois tinha magia. Muitos jogadores são quase perfeitos na forma como encaram o jogo. Decidem sempre da forma correcta a cada lance. Se a jogada com a melhor chance de seguimento é uma, eles executam-na na perfeição, e escolhem sempre essa opção. Barbosa não era desses. Via algo diferente na sua mente, sorria ligeiramente, rodava sobre si próprio e desencantava algo novo. Sem correrias, sem ligar às normas, criava magia e algo que surpreendia sempre o espectador.

Foi muito criticado, por ser lento, por ser irregular, por só jogar bem no último ano de contracto. Mas para mim serão sempre criticas injustas.

Era lento, como agora o William o é, pois a sua velocidade está nas acções e nas ideias, não em correrias loucas.

Era irregular como qualquer verdadeiro génio é. Quando se tenta sempre criar algo novo, arriscar algo mágico, muitas vezes se falha. E eu pago feliz cada bilhete para ver quem tem uma classe para o fazer como ele o fazia.

A questão dos contratos é mais mito que qualquer outra coisa. Nunca saiu do Sporting, apesar de ter tido essa hipotese ganhando mais dinheiro. E nunca teve empresário. Se fosse um desses peseteros teria feito as coisas de outra forma.

Aquela cavalgada mágica na meia final da Taça Uefa na tua última época. Não deu em golo eu sei, mas fintar meia equipa adversária sem precisar de correr para o fazer. Isso está ao alcance de poucos. Classe não se treina, não se compra. Tem-se! E tu tinhas uma como vi poucos chegarem sequer perto.

E depois lembrar-me daquela jogada, que ainda hoje dizemos como o golo à Barbosa. Aproximar-se da área pelo lado esquerdo, flectir para o meio sem precisar de entrar na área, e colocar a bola em arco ao ângulo mais distante. Sem muita força, até parecendo que vai devagar, mas ao mesmo tempo sem dar chance qualquer ao guarda redes.

Pedro Barbosa, foste enorme! Foram dez anos de leão ao peito que nunca esquecerei. Parabéns Capitão!

7 COMENTÁRIOS

  1. Muito bem lembrado!
    Não tenho muitas camisolas com nome, mas uma – a Stromp especial (lançada no ano do estádio se não me engano) – veio com o 8 e o nome estampado.

    Por falar na inauguração do estádio e do Barbosa, ainda me lembro no início do jogo tudo em silêncio e um gajo na bancada Sul grita “Parabéns Barbosa!”

    Só um acrescento ao post:
    Ele não era lento, quando via que era necessário fazia uns raids que poucos acompanhavam…

  2. O melhor jogador que alguma vez vi jogar no Sporting, fazia coisas inacreditáveis. Costumo dizer, tivesse ele cabeça e punha o Rui Costa e o Figo no bolso de trás das Levis, e sou sempre gozado com esta afirmação, mas não abdico dela. Era brilhante. Muito bem lembrado.

  3. Génio, tive a oportunidade de falar com ele quando fomos campeões em vila do conde no final de um grande jogo, e tenho a certeza é um dos nossos.

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