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O que leva um clube a fazer uma coisa destas? O que permite que continuem a existir casos destes? Leiam este artigo do Dragões diário e reflictam.

O que têm em comum Tiago Jogo, Iuri Gomes, Diogo Coelho ou Rambé? São jogadores cedidos por outros clubes ao Farense. Que mais têm em comum? O Farense não utilizou nenhum deles contra os clubes-mãe, até porque, como se sabe, os regulamentos proíbem isso. Até aqui, tudo normal.

E depois há Harramiz. Quem é Harramiz? Um jogador emprestado pelo Benfica ao Farense. Então o que fez o Farense? Utilizou-o contra o Benfica B.

Ou seja, a partir do momento em que Harramiz entra em campo, o Farense já perde o jogo. Perdeu-o em campo, mas tê-lo-ia também perdido na secretaria. Ou seja, o Benfica B, sob quaisquer que fossem as circunstâncias, já sairia deste jogo duplamente beneficiado: não só ganhava o jogo como um rival direto na luta pela manutenção ia perder pontos.

Além de perder o jogo em campo, o Farense foi punido com a perda de mais 2 pontos. Assim já está a 4 pontos do Benfica B, que tem praticamente menos uma equipa com a qual se preocupar na corrida à manutenção.

Que diz o Farense sobre isto? Segundo o seu presidente, António Barão, tudo não passou de um lapso. «A utilização do Harramiz resultou de desconhecimento do Farense e não houve intenção nem maldade», disse ao Record: «Pensávamos que o jogador já não tinha qualquer ligação com o nosso adversário».

O Farense, infelizmente, não sabia que Harramiz ainda era jogador do Benfica. Imagine-se como é possível andar uma época a pagar salários a um jogador que, no fundo, nem se sabe a quem pertence. Mais ainda: imagine-se o que é o gabinete de imprensa do Farense saber mais do que o próprio presidente/clube.

Conforme se pode ver neste post no Facebook do Farense, Harramiz foi anunciado como reforço por «empréstimo do Benfica». Será possível que quem gere o Facebook do Farense sabe o que mais ninguém do clube aparentemente sabia? A isto não se chama lapso, chama-se incompetência. Ou então chama-se outra coisa.

De facto, o historial de colaboração entre Farense e Benfica é vasto. Para quem não se recorda, o Farense foi pioneiro mundial nesta prática:

Desde então, o Benfica tem cedido uma série de jogadores ao Farense, quase todos recheados de potencial.  Quem não se lembra dos craques Jim Varela (a explodir no Progreso) e Juan San Martín (a espalhar magia no Louletano)? Chegaram juntamente com Elbio Álvarez, um suplente da equipa B. Segundo a agência EFE, em janeiro de 2012, o Benfica pagou 1,5M€ só pelo direito de preferência destes 3 jogadores e mais 2,9M€ pela compra do passe. Fica a sugestão ao Football Leaks: estes seriam interessantes de se ver.

Isto para dizer que Jim Varela e San Martín foram exemplos dos craques que amadureceram no Farense antes de irem espalhar magia para a Luz. Na verdade, não correu muito bem, pois não? A melhor contratação do Benfica – para quem mais vale uma assento na liga do que umJankauskas – pelos caminhos de Faro ainda continua a ser Carlos Deus Pereira.

Quem não se lembra deste ex-futebolista que representou o Benfica durante 9 anos? Poucos, talvez, pois deu mais nas vistas pelo seu trabalho como presidente da Mesa da AG da Liga durante o consulado de Mário Figueiredo. Recusou vários pedidos de Assembleias Gerais para destituir o presidente da Liga, rejeitou as candidaturas de Rui Alves e Fernando Seara à presidência da Liga e foi presidente da SAD… do Farense. Farense esse que foi um dos 7 clubes a votar na reeleição de Mário Figueiredo em 2014. É preciso ter faro para as parcerias, e o Benfica mostra tê-lo de sobra por estas bandas.

Ainda sobre Harramiz, então e o próprio papel da equipa de arbitragem e dos delegados ao jogo da liga? Não houve um único elemento competente o suficiente para verificar, facilmente, que Harramiz era um jogador emprestado pelo Benfica? A própria inoperação dos agentes da nossa liga fez com que o Farense, ainda antes de começar o jogo, já tivesse perdido; e o Benfica ganhou não só os 3 pontos, como vantagem sobre outra equipa na luta pela manutenção.

Qualquer coincidência com a realidade é pura ficção. Mas por um momento, imaginemos o que aconteceria se o projeto de formação do Benfica, que tanto tem proclamado a aposta no Seixal e a estratégia para ter uma base de jogadores formados no clube e na seleção nacional, culminasse com a queda da equipa B para o Campeonato de Portugal. Nem Alexandre Dumas, com mil Aramis ou Harramiz, conseguiria imaginar tão trágica ficção.

Ah, já agora: não se esqueçam, Victor Andrade está emprestado pelo Benfica. Não vá alguém do Vitória de Guimarães B, na próxima jornada, cometer o mesmo lapso que o Farense.

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