Há jogos que ficam na memória de todos. Muitos deles nem estão ligados a finais. Lembro-me assim de repente de dois. O magnifico jogo em Alkmaar, do cantinho do Miguel Garcia. E o gigante jogo contra o Manchester City em que Rui Patrício fez uma defesa do outro mundo a remate do guarda redes adversário. Situação esta só possível por um golo de calcanhar de Xandão…

E ontem foi um dia desses, do qual tenho a certeza que dificilmente me esquecerei.

O Jamor cheio em festa. Milhões de Sportinguistas por todo o mundo a sofrer, e a pensar que o jejum de títulos nacionais ia acabar ali. E depois um erro de Cédric, e talvez um pouco de excesso de zelo do árbitro, colocou o Sporting a perder, e com um jogador a menos. Pouco depois o excesso de zelo do árbitro tornou-se em falta de zelo, ao esquecer-se de expulsar Baiano do Braga. Numa falta que poderia ser mesmo para vermelho directo, e estando já o jogador amarelado, este não viu qualquer tipo de punição disciplinar.

Miguel Lopes quis ser solidário com o seu colega de posição Cédric e faz também ele um erro, deitando o jogo para um 0-2 quase impossível de resolver. Ainda antes do intervalo tudo parecia perdido.

Slimani lutou muito até ao intervalo, mas parecia que tirando ele apenas Nani estava preparado para virar o jogo. No entanto do lado do Braga o que se via era muito anti-jogo, muita dureza, e pouca arte. Seria um crime perder contra isto.

E do intervalo voltaram dez leões.  Quem viu o Sporting entrar naquela segunda parte só pôde começar a acreditar. Entraram com tudo, atacando de forma constante a área adversária. Mas nada parecia resultar.

Num lance de risco total Marco Silva resolveu retirar Miguel Lopes, ficando a jogar apenas com três defesas. E cabendo ao pequeno Carlos Mané a tarefa de ser defesa, médio e avançado direito ao mesmo tempo. E que alma ele demonstrou ter. Corajoso e esforçado a defender. Irreverente a atacar. Mostrou que os campeões não têm tamanho nem idade.

Adrien e William ficaram finalmente galvanizados e a pressão começou a aumentar. Slimani marcou o golo que relançou a partida e em cada Sportinguista começou a preparar-se um rugido. Alguns admitem que começaram a acreditar ai, outros já acreditavam antes. Outros ainda não ousavam acreditar.

Paulo Oliveira acreditou, lançou, já nos descontos, uma bola muito longa para Montero. E o colombiano renegou o sangue latino para demonstrar a maior frieza nórdica e levar o encontro para o prolongamento.

Aí o grito da vitória foi enorme, e o sorriso apareceu pouco depois. Sabia que esta equipa, com esta alma, iria ganhar este troféu. Mas ainda faltava um prolongamento, com uma equipa desgastada fisicamente.

Mais desgastado que todos, e visivelmente lesionado,  Rui Patrício defendeu tudo o que lhe apareceu à frente. Nani circulava a bola, mas as pernas já não o acompanhavam. Quem corre o que ele correu não pode ter mais energia naquela altura. Isto claro, se não se chamar Slimani. O argelino fez 120 minutos de pressão e luta constante, que encheriam de vergonha os candidatos ao iron man.

Nas grandes penalidades Adrien, Nani e Slimani não tremeram como era pedido. Rui Patrício por seu lado, mesmo a coxear, faz uma defesa brilhante, e a partir daí não mais os bracarenses conseguiram a frieza para alvejarem com sucesso as nossas redes.

Num jogo brilhante, que ficará gravado a ouro na nossa história, não cabem polémicas. Foi um Sporting com o Esforço, Dedicação, Devoção e claro, Glória que estão no seu lema. Jogadores, equipa técnica, direcção, sócios e adeptos. Todos eles estiveram no seu melhor, e claro: a Taça é Nossa!

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