Desde que começou a crise no Grupo Espirito Santo muito se tem falado na ligação deste grupo ao Futebol. A exposição de vários clubes nacionais a empresas deste grupo é muito significativa, e especialmente Sporting e Benfica.

O Sporting no ano passado reestruturou a sua dívida ao Banco Espírito Santo. Não foi perdoado em nada, como muito Benfiquista e Portista quer fazer pensar, apenas fez empréstimos de maior duração em que conseguiu negociar juros mais baixos. Como tanto particular tentou fazer, uns com mais sucesso que outros, com os seus empréstimos habitação.

O Benfica tem menos valores em dívida ao BES/GES, mas a sua maioria não são empréstimos de longa duração. Este Grupo comprou várias vezes largas somas dos empréstimos obrigacionistas do Benfica nos últimos anos. Só nos que vencem entre Outubro e Dezembro estão perto de 70 Milhões de euros.

Mas o que é um obrigacionista? E como se tem usado?

Num empréstimo tradicional o cliente pede uma quantia e depois paga todos os meses uma fracção desta. Isto até ter pago a totalidade do valor pedido mais juros.

Um empréstimo obrigacionista é completamente diferente. Em vez de se pedir um empréstimo a uma entidade, é lançada uma acção de subscrição de empréstimo. Qualquer um pode comprar percentagens desse valor, e quando todo o valor estiver completo, é considerado o inicio.

O tomador deste empréstimo não tem encargos nenhuns com ele mensais. Apenas recebeu o dinheiro e faz com ele o que lhe aprouver. Ao fim do prazo designado (nestes casos tem sido 4 anos) o tomador do empréstimo tem de pagar a totalidade do valor pedido mais os juros. De uma vez.

Os clubes Portugueses têm usado este mecanismo recorrentemente. E quando chega a altura de pagar têm tomado a opção de chutar para a frente ou empurrar com a barriga. Basicamente emitem um novo obrigacionista, no valor total do que pediram no anterior mais juros, e este ao ser subscrito paga o anterior.

No caso do Benfica das últimas vezes tem sido o BES/GES a assegurar a compra de grande parte das suas participações. A grande diferença, contra o caso do Sporting por exemplo, é que num empréstimo não há novas decisões por parte dos credores. Desde que todos os meses pagues a parcela descrita, não podem alterar termos.

No caso das Obrigações com o BES/GES e Benfica tudo é diferente. O BES/GES não tem capital para investir mais, e mal chegar a altura de receber vai apenas receber a sua parte. E agora para pagar tudo isto, ou o Benfica faz receitas extraordinárias este ano, ou então vai ter de arranjar um novo financiador. Quanto ao Sporting, basta continuar a pagar as suas prestações mês a mês, e nada poderá acontecer.

6 COMENTÁRIOS

  1. Apenas um reparo: um emprestimo obrigacionista nao tem necessariamente que ser pago de uma vez so na data em que atinge a sua maturidade. Tanto podem ser pagos juros periodicamente ate ao fim e depois paga-se um valor estipulado previamente na data de maturidade, ou, como sugerem, pode ser pago tudo de uma vez no final do contrato.

    Nao sei qual das modalidades costuma ser usada nas emissoes dos clubes.

      • A Sporting SAD tem um empréstimo obrigacionista para reembolsar no montante de € 15 milhões. Nós não temos apenas crédito e leasings, também fizemos emissões e também vamos ter de as refinanciar, tal como já fizemos anteriormente e tal como Benfica e Porto fazem. E também no nosso caso tem sido a Banca a garantir a compra, tal como aconteceu com as VMOC que foram totalmente subscritas pela Banca.

        As emissões da SAD pagam cupão, de forma trimestral, semestral ou anual (conforme os casos), não capitalizam. As emissões são sempre ao par e bullet.

        Aquilo que foi feito, com BES e Millennium, foi pegar em parte da dívida e transformá-la em VMOC’s que, no caso, não podem sequer ser reembolsáveis (convertem-se obrigatoriamente em acções) e cujo cupão só é pago caso a SAD gere lucro (cupão de 4% “transformado” em dividendo preferencial). De resto, parte da dívida manteve-se como estava.

        E mesmo quando se afirma «Quanto ao Sporting, basta continuar a pagar as suas prestações mês a mês, e nada poderá acontecer.», nunca se poderá dizer tal coisa sem se conhecer os contratos. Não é por se ter um crédito bancário que isto passa a ser verdade.

        Sporting, Benfica e Porto estão todos no mesmo barco, passam todos pelas mesmas dificuldades e Benfica e Porto terão obrigatoriamente de passar pelo processo de corte transversal de custos que o Sporting já iniciou.

  2. Bem… parece que apagaram o meu comentário anterior mas está tudo bem, belo filtro que aqui põem,

    AC, é claro que um empréstimo obrigacionista não tem de ser pago de uma só vez mas maioria das vezes, em Portugal, são bullet e emitidos ao par. E é assim que as SAD têm feito emissões.

    Quanto ao resto do artigo, repito: erros atrás de erros.

    • O Filtro existe mas não é censura. Deve ter ocorrido algum erro, visto não ser a politica do espaço apagar comentário nenhum.

      E sim, os empréstimos obrigacionistas podem ser pagos em cupões mais ou menos regulares, mas no caso destes usados no futebol têm sido apenas pago em cupões regulares os juros. O grosso do pagamento será como o explicado em cima.

      Não vejo grandes erros nessa leitura.

  3. Este artigo tem diversos equívocos técnicos, naturais de quem não tem conhecimentos específicos para comentar finanças. Alguns já foram apontados em comentários anteriores. É favor rever o artigo.

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