Daniel Oliveira
Deixo de lado a Doyem e os seus comunicados. Até porque tenho dificuldade em debater com uma empresa offshore sediada em Malta, que pertence a um grupo com o mesmo nome de quem desconheço os proprietários. Mas cujo CEO acha por bem, apesar do etéreo mundo empresarial em que vive, dar lições públicas de transparência e verdade. Não está só no descaramento. Foi desta empresa que o vice-presidente do Benfica decidiu transformar-se em porta-voz oficioso, intervindo num conflito judicial em que o seu rival está envolvido. Da mesma forma que, na semana passada, critiquei o presidente do Sporting por se envolver num assunto que apenas dizia respeito ao Benfica, acho inqualificável que o vice-presidente do Benfica revele (ou simule que revela) informações sobre documentos confidenciais do Sporting e dados financeiros a que supostamente terá acesso. Teve a companhia de Jaime Antunes, um homem de boas contas acusado esta semana pela justiça de burla e branqueamento de capitais. O Benfica sabe bem a quem dar tarefas pouco higiénicas.
Prefiro vibrar com coisas menos canalhas: o que se decide amanhã. Na realidade, se tudo se decidir é má notícia. Mas se o Sporting se superar, e tem mostrado que o consegue fazer, isto será a contar até ao último dia. Até o último jogo a sofrer por futebol, não por polémicas alimentadas por quem, tendo ficado evidente a sua mediocridade na política ou nos negócios, restaram umas sobras do desporto e nele se entregam ao triste papel de andar a chafurdar nas gavetas dos outros. Como cansam. Como degradam a festa. Como se contentam com pouco. Deste fim emocionante de campeonato falará a história e a memória dos adeptos. Já destas alcoviteiras…
Daniel Oliveira – in Record

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