Deontologia: Estudo ou tratado dos deveres ou das regras de natureza ética.

Deontologia é algo que faltou, desde o início, no folhetim Alexandre Gomes, criado e alimentado integralmente por jornalistas do Record e Grupo Cofina.

Recordo alguns, meus, sublinhados retirados do Estatuto do Jornalista (Lei 1/99, publicada em 1 de Janeiro, alterada pela Lei n.º 64/2007, de 6 de Novembro, com rectificações feitas pela Declaração de Rectificação n.º 114/2007, da Assembleia da República):

Artigo 14.º

Deveres

1 – Constitui dever fundamental dos jornalistas exercer a respectiva actividade com respeito pela ética profissional, competindo-lhes, designadamente:

  1. Informar com rigor e isenção, rejeitando o sensacionalismo e demarcando claramente os factos da opinião;

2 – São ainda deveres dos jornalistas:

  1. b) Proceder à rectificação das incorrecções ou imprecisões que lhes sejam imputáveis;
  2. d) Abster-se de recolher declarações ou imagens que atinjam a dignidade das pessoas através da exploração da sua vulnerabilidade psicológica, emocional ou física;
  3. f) Não recolher imagens e sons com o recurso a meios não autorizados a não ser que se verifique um estado de necessidade para a segurança das pessoas envolvidas e o interesse público o justifique;
  4. h) Preservar, salvo razões de incontestável interesse público, a reserva da intimidade, bem como respeitar a privacidade de acordo com a natureza do caso e a condição das pessoas;

Reforço a enfâse na ética, visto tratar-se de um menor. O Boletim Conselho Deontológico do Sindicato dos Jornalistas de Novembro de 2010 oferece-nos esta descrição:

O tratamento da informação de factos que envolvam crianças requer que os jornalistas procedam com uma ética de cuidado ou seja, para além do cumprimento escrupuloso das regras deontológicas, devem utilizar as palavras mais adequadas de forma a minimizar qualquer estigma que possa prejudicar o futuro das crianças e jovens em perigo.http://www.jornalistas.eu/ficheiros/1779991715_Observatorio_N06_web.pdf

Vamos aos factos. Quem é Alexandre Gomes?

É um jovem de 15 anos, menor de idade, atleta do Sporting Clube de Portugal.

Cometeu algum crime, facto relevante que careça de tal mediatismo? Não. Fez o que os jovens da sua idade, num tempo de afirmação, fazem: asneiras, coisas estúpidas sem sentido.

Que relevância tem a sua genealogia para o Record a descrever, expondo ainda mais o menor? Por que o jornal da Cofina assinala que Alexandre é filho de José Fontelas Gomes, presidente do Conselho de Arbitragem, e de Dina Mimoso, assessora na Liga Portuguesa de Futebol? Isto só pode ser entendido como forma de pressão sobre os progenitores. Não existe outro pressuposto. Este facto foi criado somente porque é filho de quem é. Se Alexandre fosse filho de outra qualquer pessoa, nada disso teria sucedido.

Na “notícia” colocada no seu sítio, o Record colocou esta imagem:

Na edição impressa, temos isto:

O jornal escreve que Alexandre «incendiou a net». Incendiou? Como!? Voltemos à imagem colocada no sítio. O tweet de Alexandre, recordemos, de 15 anos, obteve 3 retweets, 4 likes e 0 (zero) respostas. Em termos de reconhecimento (Impressions e Engagements), aquele tweet simplesmente não existe. Qualquer pessoa que trabalhe na área do Social Media sabe que o tal tweet teve um impacto perto de zero. Mas como é que a net pegou fogo ao bom estilo de Nero? Obra e graça dos jornalistas do Record. O objectivo foi unicamente este: utilizar um menor de forma a causar pressão sobre os pais e acicatar ódios em véspera de um clássico. O tweet não tem qualquer relevo, nem importância jornalística. O impacto e o facto foram criados por aqueles que o noticiaram.

Na versão online do artigo, existe uma nota na qual se indica que “o post foi entretanto retirado, com o próprio a garantir que não tinha sido ele a publicá-lo”. Surpreendentemente, aquela nota não consta no jornal publicado no dia 6 de Dezembro, bem como a imagem do tweet foi editada de forma a ocultar o impacto post, por intervenção directa do “jornalista” Flávio Miguel Silva. Continuação da narrativa construída, utilizando um menor de 15 anos de idade, de forma a pressionar os pais.

Alexandre está à guarda de sua mãe como é relatado no artigo, e se ele está no Sporting Clube de Portugal, este facto deve-se a esta. Não tendo qualquer intervenção na escolha do seu filho, o pai, José, é chamado à colação somente pelo cargo que ocupa. Até a forma como o Record se refere à mãe de Alexandre demonstra algum desdém por esta. Atente-se:

 “Alexandre Gomes está à guarda da mãe e foi ela que tratou da transferência do CAC Pontinha para o Sporting no último verão. Dina Mimoso, assim se chama ela, é assessora de Pedro Proença na Liga.”

Se a notícia é o filho Alexandre, por que razão o jornal nos diz quem são os seus pais e respectivas ocupações profissionais? Tão somente expô-los e pressioná-los. O objectivo final nunca foi o filho, menor de idade, mas sim atingir seus pais. Alexandre é um mero dano colateral. Ter jornalistas a usarem um menor, sem qualquer pejo ou remorso é preocupante, muito.

O “jornalista” Flávio Miguel Silva constrói as suas narrativas espiando, controlando menores. Alexandre não foi o primeiro. Há todo um comportamento anterior. Nuno, neto de Pinto da Costa, também já foi alvo desta perseguição. Julgo ser estranho, e com muitas coincidências, esta pessoa sinalizar filhos, menores, de pessoas ligadas ao Sporting e ao Porto que agem como miúdos. Outra coincidência é verificar que essa pessoa acompanha a formação (camadas jovens) do Benfica e é assinante da BTV, algo facultativo, em que só assina quem quer. Um pormenor por maior.

A ERC, o Sindicato dos Jornalistas e até as autoridades policiais terão neste modus operandi muito material para investigarem e actuar.

O Record e os seus jornalistas abusaram moralmente de um menor de 15 anos. Estes são os factos.

Texto: @paravertudo

Revisão: @tonicasubtonica

Leitura adicional sobre o mesmo tema:

Do @OArtistaDoDia

http://oartistadodia.blogspot.pt/2016/12/assim-se-fabrica-uma-polemica.html

Do @Mister_do_cafe

http://misterdocafe.blogspot.pt/2016/12/o-caso-do-filho-de-fontelas-gomes.html

Texto escrito por @paravertudo a quem agradeço a o excelente trabalho que subscrevo na integra.

3 COMENTÁRIOS

  1. Aproveito a oportunidade para agradecer a todos o excelente trabalho que fazem nas redes sociais na defesa dos interesses do Sporting Clube de Portugal. Este tipo de plataformas é vital para o futuro e é aqui que se joga muito daquilo que é a influência e o prestígio dos clubes. É até minha opinião que os responsáveis do clube a quando da escolha e entrega de prémios a todos aqueles que prestam serviços relevantes ao clube, em muitos dos seus eventos, terão de pensar no trabalho invisível mas absolutamente crucial que muitos fazem para zelar pelo bom nome e respeitabilidade deste grande clube, nas redes sociais.

  2. Eu só reafirmo aquilo que escrevi noutros blogs: Fosse o Alexandre meu filho do jornaleiro Flávio iria precisar de consultar um estomatologista.

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