O jogo contra o Porto era de prever que fosse de um grau de dificuldade máximo. Não era novidade, como bem o sabíamos. E tal como o havíamos escrito.

A chave esteve sempre no meio campo, mas não de forma tão óbvia como normalmente acontece. Quando se fala em jogos ganhos a meio campo pensamos numa daquelas batalhas infindáveis pela posse de bola. Não foi este o caso.

A velocidade dos três homens da frente do Porto obrigava a uma táctica diferente. Um meio campo usado mais como trincheira do que como casa. Adrien a correr a trás de cada lance, um Slimani do meio campo, e William, mesmo em condições físicas inferiores, a cortar linhas de base com o seu posicionamento.

Depois um menino Matheus endiabrado a tentar imitar os cortes de linhas de passe de João Mário, e um Ruiz a comandar uma orquestra. Com isto o Porto ficou de pés e mãos atados durante noventa minutos.

Todos os seus lances de perigo tiveram de sair de passes longos da defesa, ou tentativas laterais de subida. Tiveram mais posse de bola, mas nunca chances de fazer algo com ela.

Depois a arte lá da frente juntou-se ao trabalho de Slimani. E o fruto foram dois golos, infelizmente. Infelizmente porque podiam ter sido bem mais. E se alguém merecia ter tido um pouco mais de sorte, esse alguém era Adrien. A bola que enviou ao ferro devia ter sido golo. Merecia ter sido golo. E para mim ficará para sempre como um golo que só por acaso não aconteceu.

De saudar também Rui Patrício. Numa noite em que não teve de intervir muitas vezes soube estar a altura quando foi necessário. A  mancha que faz a Aboubakar é impressionante, ao nível do nosso velho gigante dinamarquês que Patrício cresceu a ver campeão pelo Sporting Clube de Portugal.

Grande jogo. Grande vitória. Grande Sporting Clube de Portugal!