Existem muitos atletas que são honrados diariamente pelo mundo fora. No futebol discutimos, ou discutia-mos agora que Ronaldo apareceu tornou-se mais claro, quem teria sido o maior futebolista Português de sempre. No entanto em termos absolutos não tenho dúvidas de quem foi o maior atleta Português de sempre: Carlos Lopes.

Faz hoje trinta anos que pela primeira vez a bandeira portuguesa subiu ao posto mais alto nuns jogos olímpicos. Faz hoje trinta anos que em Los Angeles pela primeira vez olimpicamente o nosso hino soou vitorioso. Tudo isto pela vontade hérculia de um homem dos nossos.

Temos muitos símbolos no clube, atletas excepcionais que nos tornam a maior potência desportiva nacional, mas este é o maior deles. E num lote que conta com Francisco Stromp, Fernando Peyroteo, António Livramento, Joaquim Agostinho, Luís Figo, Cristiano Ronaldo, entre tantos outros é dizer muito.

A 12 de Agosto de 1984 mostrou em pleno o que significa o nosso lema: Esforço, Dedicação, Devoção e Glória. Uma semana antes tinha sido atropelado em Lisboa enquanto treinava. Sim, como um atleta semi-profissional que era, e numa época em que não havia todas as regalias dos que hoje se queixam por falta de condições, sofreu um acidente e resolveu continuar.

Não era um jovem, trinta e sete anos de idade pesam, e muitos acharam que seria tarde demais para o homem que quatro anos antes falhou por pouco o Ouro em Seul. Mas esse segundo lugar não lhe chegava, como nunca chega aos vencedores, e mesmo já com uma idade pouco usual para um atleta ganhou.

Mas mais do que ganhar, ganhou com estilo e glória. Recorde olímpico batido, e categoricamente, ao ponto de ter durante vinte e quatro anos, até ser batido em Pequim 2008. Sempre em busca de mais, o tri campeão mundial de corta mato, fechou a carreira na maratona de Roterdão aos 38 anos de idade, em 1985. E o que fez para terminar a carreira? Ganhou e bateu o recorde do mundo da modalidade rainha do atletismo. Um homem assim não faz por menos.

É lembrado nestas alturas, mas devia ser muito mais lembrado. Um herói do desporto nacional, e um exemplo.

Foi atleta do Sporting Clube de Portugal entre 1967 e 1985. Dezoito anos de conquistas que inspiraram gerações. Continua agora a sua ligação ao clube desde 2013 como director do Atletismo. Uma das estrelas formadas pelo nosso Mário Moniz Pereira e que prova que não formamos apenas reis no futebol. E este é o maior de todos!

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