A frase que mais ficou no ouvido da entrevista de ontem de Bruno de Carvalho foi a de que ele não saberia qual seria o orçamento do Sporting para a próxima época.

Logo se levantou um coro de virgens ofendidas sobre o facto, especialmente porque o presidente também referiu que ainda não haveria nada fechado com o patrocinador principal. E claro, porque acham que a questão sobre a nossa participação na liga dos campeões já se encontra fechada.

Mas não é bem assim. Sabemos que vamos ao playoff de acesso, é um facto. Mas ainda não se sabe se seremos ou não cabeças de série nesse mesmo playoff, e quais os tubarões que poderão surgir-nos ao caminho. Um gestor inteligente quererá saber estes dados antes de saber quanto vai arriscar orçamentar.

Depois a questão dos patrocinadores é um caso em desenvolvimento. Acredito que estão a ser negociados os patrocionios nesta fase, mas também tenho plena noção que estes ainda poderão demorar mais um pouco a ser fechados. Até porque é mais que provável que alguns dos interessados sejam sites de apostas, que só agora estão a ser regulamentados em Portugal. Tudo isto é recente e pode influir nas negociações.

Quanto ao não orçamentar até ter mais dados, agradeço a honestidade. Sei que na realidade não será cem por cento assim. Já deve saber quanto pode vir a gastar no mínimo e a trabalhar nesses pressupostos. Sendo esses pressupostos o dinheiro que o clube pode gastar só por sim, sem patrocínios ou dinheiro da liga dos campeões.

E depois os factores variáveis. Uma percentagem do valor dos patrocínios, mais uma percentagem de receitas estimadas da UEFA. E aqui estimativas pessimistas em termos desportivos. Porque não podemos correr riscos.

O que acharia interessante era desde já planear com dois tempos, e penso que isso possa ser feito. Ou seja, fazer um plantel interessante para lutar pelo titulo, com a base que temos, mínimo de contratações. E definir uma parte substancial da verba da liga dos campeões para a contratação de um jogador acima da média.

De resto não vejo o mal em termos um presidente calculista, e que prefere ver quanto tem antes de gastar. Sei que não é muito a norma. E mais, não liga bem com a imagem de populista que se criou à volta de Bruno de Carvalho. Agora toda a sua actuação em termos de gestão tem-se pautado pela ponderação nestes dois anos, não vejo porque não pensar que vai continuar assim.

1 COMENTÁRIO

Deixar uma resposta