Foi anunciada hoje a venda de Freddy Montero por 5 Milhões de Euro para o Tianjin Teda da China. Acaba por ser um bom negócio, por um jogador que veio emprestado, comprámos e valorizámos. Mas ficará sempre a saudade.

Não vou negar, muitas vezes me irritou a sua falta de intensidade. A falta de vontade para ir à pressão. A falta de capacidade para entrar em confrontos mais físicos.

Mas nunca me esquecerei da primeira volta que fez na época em que chegou. Golos de todas as maneiras. Sempre com uma enorme classe, e tornou-se o primeiro ídolo desta nova fase do Sporting, acabado de sair do marasmo de Godinho Lopes.

Depois perdeu algum fulgor. Não foi um jogador perfeito para um futebol tão intenso e desgastante como o Europeu. Jogar em pressão constante, sofrendo entradas mais ríspidas e espaços apertados, não são a praia de Montero.

Mas quando tira um coelho da cartola Montero é um jogador espectacular. Uma paragem perfeita de uma bola longa com um pé, e um remate certeiro de longe com o outro. Um remate ameaçado a trinta metros que se converte num drible que o coloca cara a cara com o guarda redes. Que desfaqueia com sucesso como é evidente.

E uma alegria sempre a jogar. O sorriso fácil, a jogada bonita, e claro, o golo.

Juntou a isso uma atitude profissional irrepreensível. Passou de titular e simbolo a suplente com a subida de rendimento de Slimani, e nunca se ouviu uma má palavra, ou qualquer tipo de caso. E continuou a tentar entrar o melhor que sabia, tendo ganho muitos pontos por si próprio.

Um jogador que foi um prazer ver jogar de verde e branco. E um profissional que muito honrou o Sporting.

Obrigado Montero, serás sempre um dos nossos.
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6 COMENTÁRIOS

  1. Uma justa homenagem. E não esquecer que há jogadores que valem tanto pelo que jogam como pelo que treinam. Não esquecer que Slimani evoluiu bastante porque tinha a concorrência de Montero que nunca o deixou descansar. O Sporting foi adoptando um jogo cada vez mais próximo das características de Slimani e menos próprio para as de Montero (jogador que favorece um futebol mais apoiado, mais acompanhado, mais curto) e mesmo assim, disse sempre presente. Confesso que não percebo a opção de dispensar o Montero sem garantir previamente uma opção (Barcos é opção para Slimani, mas Teo não é, nem para Montero, nem para a equipa, nem para treinar). Boa sorte, Montero.

    • Não sei se as histórias de Teo serão verdade. Ele estava a jogar lesionado e de repente parou. Mas até parar, apesar do estilo de jogo estranho, foi sempre marcando. Não sei de a imagem que a imprensa passa é verdade.

      Quando à posição de segundo ponta, o Ruiz desde que foi para aí que aumentou exponencialmente o seu rendimento. É também o melhor lugar de Mané e mesmo de Matheus. Montero até pode ser melhor que os miúdos neste momento, mas financeiramente faz sentido.

      • A percepção que temos de um jogador depende muito da imagem que ele transmite, e não vejo o Téo muito preocupado com isso (nem com nada que diga respeito ao Sporting). O Montero é um jogador que não tem substituto no plantel: é um jogador que beneficia da sua imensa capacidade técnica para jogar em espaços pequenos, o que em jogos em que estamos a meter a carne toda no assador, em que estão 15/16 jogadores metidos na grande área é o ideal. Precisa de meio metro quadrado e a bola, a técnica fina e capacidade de remate fazem o resto. O Ruiz é um criador e, tal como o João Mário no ano passado, colocado a segundo ponta de lança, perde amplitude de movimentos para fazer o que faz melhor: passar o primeiro marcador e atrair o segundo que liberta um colega que pode receber. Já o Mané e o Matheus são dois miúdos cujas armas são velocidade e técnica em progressão, por isso diferentes do Montero que é mais posicional. E depois, a velocidade de raciocínio do Montero é rara: quantas vezes vimos pontas de lança a fazer lançamentos laterais como no lance desperdiçado pelo Slimani? Fico com pena de perder o profissional. E numa fase em que o Sporting precisa da ajuda de todos, parece-me arriscado perder este avançado com provas dadas. O Barcos é bem vindo, mas não deveria implicar a venda do Montero: que na hierarquia era o segundo avançado. Ficámos com o Slimani (que é um valor seguro), com o Téo (que, dando o benefício da dúvida, é uma incógnita) e com uma verdadeira incógnita, o Barcos. No final das contas, ficámos a perder.

          • O Bruno César (e dou a mão à palmatória) está a ser uma excelente aposta. Precisa de perder ainda algum peso, ganhar velocidade e capacidade de manter um ritmo intenso de jogo. Mas é mais um jogador que sai da ala para o centro, aparecendo de trás. O Montero nisso é mais um ponta de lança clássico, de movimentos mais curtos. Mas ambos com boa meia distância. E quanto a isso, o meu aleluia, este ano parece que finalmente descobriram que podem rematar de longe!

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